MPB, um novo caminho para a democratização da música

 Publicada  na revista MídiaComDemocracia (versão editada)      

Um mundo acabou. Viva o mundo novo!, sentencia o primeiro Fórum de Música para Baixar (MPB), evento que “nasceu” oficialmente, durante a 10ª edição do Fórum Internacional de Software Livre, realizado em Porto Alegre, no mês de junho. O movimento tem como objetivo ser o palco de debates sobre a flexibilização das leis, a cadeia produtiva, para que estas assegurem os direitos de autor, assim como a difusão livre e democrática da música.

 “Reciclar a palavra, o telhado e o porão, reinventar tantas outras notas musicais”, a composição musical da Trupe Teatro Mágico (TM), vem bem ao encontro da proposta do Movimento Música para baixar (MPB), que pretende dar uma nova forma de ver e trabalhar a música brasileira a partir do uso da internet. “Estamos propondo uma nova cara para a MPB, um novo momento. Não é mais a música popular brasileira, que de alguma maneira se elitizou, deixando de ser popular. O que é popular é o que vem do povo, é o que tem essa característica. Nós estamos reafirmando a sigla MPB, mas agora como música para baixar. Ou seja, música acessível, livre. É isso que estamos buscando”, aponta Fernando Anitelli, vocalista e “mentor”, do TM.

 

"Eu acredito que as novas relações musicais serão justamente essas, com as novas tecnologias, com a internet, articulando redes, distribuindo a musica de maneira gratuita", aponta Fernando

"Eu acredito que as novas relações musicais serão justamente essas, com as novas tecnologias, com a internet, articulando redes, distribuindo a musica de maneira gratuita", aponta Fernando

Na contramão do modelo de um mercado engessado, concentrado nas gravadoras e nos jabás dos grandes meios de comunicação, agregando novas possibilidades de integração entre artista e usuário, surgiu o Fórum de MPB. A ideia partiu da própria Trupe, ou melhor, do produtor executivo da mesma, Gustavo Anitelli. “Sentíamos a necessidade de ter uma organização, de juntar pessoas. Foi esse sentimento que nos trouxe a uma articulação inicial com o pessoal do software livre”, aponta Gustavo. “O software livre dialoga muito com a questão de liberação da música, de tornar o material acessível, justamente por essa relação livre e aberta que eles têm de trabalhar as relações, as redes”, complementa Fernando.

 Para Everton Rodrigues, ativista do movimento Software Livre e um dos organizadores do Fórum de MPB, o MPB vem em um momento em que profundas mudanças acontecem nas comunicações e as quais têm impacto significativo nas relações humanas, políticas, econômicas e na música. “Ele já nasce como um importante espaço para a reflexão e ação sobre o que nós queremos para a música” expõe Rodrigues.

 Pelo viés da Democratização

 Já virou lugar comum falar das novas possibilidades que a internet trouxe, mas fato é que ela acabou se tornando um dos meios mais democráticos a comunicação, ao conhecimento e entretenimento. Nesse cenário de livre circulação, produção e recepção, onde o fã não é mais somente um fã, e sim um divulgador da obra, há debates que precisam ser feitos, como a questão da criminalização da rede, outro ponto que suscitou o movimento assim como a releitura do direito autoral. Segundo os integrantes e representantes do movimento esse processo passa pela democratização da comunicação. De acordo com o recente manifesto do MPB, é a partir do surgimento da democratização da comunicação pela rede cibernética, que a conjuntura na música muda completamente.

 “A comunicação é o ponto central no debate da música. O controle da comunicação é o principal problema que temos no Brasil. Diante disso, o papel da música é conscientizar a sociedade civil em geral dos elementos que cercam o domínio da comunicação. Nós temos um papel, enquanto movimento de publicização do debate”, afirma Gustavo.

 Segundo Rodrigues, a primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) será extremante importante para elaborarmos propostas que possam garantir os meios de comunicações mais interativos e democráticos. “Precisamos propor maior diversidade na mídia brasileira, garantir o envolvimento econômico, cultural, social e político de mais pessoas”, afirma. Também Fernando defende que o músico deve trazer seu público para esse debate. “Essa briga também é nossa”, complementa.

 O Ministério da Cultura, explica Everton, vem apoiando o MPB “por meio do diálogo e incentivo às ações dos participantes, com vistas ao aprofundamento do tema”. Na visão do Ministério, conforme relata o ativista, “a lei do direito autoral não contempla a nova realidade imposta pela evolução tecnológica e favorece o desequilíbrio na relação entre autores e a indústria cultural”.

 Um novo mundo

 “Com a cultura digital, a música está em tudo quanto é lugar, feito água. Ela aparece e vai vazar, não tem jeito, ela vaza e não há controle possível. E o caminho que se tem hoje em dia que se tem de controlar, primeiro é inócuo e depois vai colocar todo mundo na marginalidade”, opina o compositor e músico carioca Leoni.

"“Com a cultura digital, a música está em tudo quanto é lugar, feito água. Ela aparece e vai vazar, não tem jeito, ela vaza e não há controle possível", afirma Leoni

 Para Leoni a internet é o lugar mais democrático que existe, a troca de informação que acontece ali é muito mais benéfica para sociedade do que qualquer tipo de controle que se possa exercer ali. “Se a pessoa quer proteger, é um direito dela, mas se eu quero liberar, eu não posso ser considerado ilegal, se as pessoas querem baixar, elas também não podem ser consideradas ilegais”, argumenta.

 O movimento defende e levanta a bandeira da flexibilização do direito autoral, para que o mesmo se adapte aos novos tempos.  “Nós temos que fazer as leis e as formas de agir se adaptarem a esse novo mundo, e por isso a importância do movimento. Primeiro o de avisar de que o mundo como a gente conhecia antes da internet já não existe mais acabou, é preciso construir juntos um novo mundo, baseado que é real, que é viável, funciona” defende, Leoni.

 Leoni, que vem de uma história com gravadoras, aposta nesse novo modelo proporcionado pela internet. “Hoje em dia, às vezes sai mais caro pagar direito autoral para lançar mil discos do que fabricá-los. Isso acaba sufocando a criação ao invés de protegê-la. Para mim, é mais interessante dar a música, depois eu a vendo, para quem gostar para quem é fã mesmo, e o resto vai baixar de graça, e vai acabar gostando, indo ao show, e vai acabar comprando uma camiseta, ou até um disco no futuro”, aponta.

 Eu acredito que as novas relações musicais serão justamente essas, com as novas tecnologias, com a internet, articulando redes, distribuindo a musica de maneira gratuita, opina Fernando. “Lógico que existem várias questões sobre direito autoral, propriedade intelectual, mas tudo isso a gente vai descobrir junto, ver quais são as extremidades para justamente chegar num meio comum. Acho que a busca é essa”, pondera.

 Para Raphael Moraes, vocalista da banda Nuvens de Curitiba, a chegada da internet, abre uma nova possibilidade para se chegar ao público frente ao monopólio que acontece com as mídias de massa, como o rádio e a televisão. “Estamos no começo de uma nova fase cultural e artística, que representa a variedade, o aumento da qualidade das produções artísticas. Com a internet, através do download, há uma maior  facilidade divulgação do trabalho. E a partir desse primeiro contato proporcionado pela rede, renda através do show, da própria compra do CD em shows”, argumenta.

 Nessa visão de um novo mundo, a cultura da música, se não é um principio fundamental para a vida, se torna uma essência da mesma. “A arte, a música em si não é uma necessidade básica, não é comida, água. Mas ela pode se tornar uma realidade na vida como um todo, no âmbito social, nos relacionamentos, entretenimento, ela vem para preencher a alma, o vazio que a vida moderna proporciona”, conclui Raphael.

  Tanto Leoni, quanto a Trupe Teatro Mágico, e a banda Nuvens, disponibilizam todo o material pela internet.

Para conhecer o Trabalho do TM: http://www.oteatromagico.mus.br

Nuvens: http://www.nuvens.net/

Leoni: http://www.leoni.art.br/

 O movimento MPB reúne artistas, produtores, ativistas da rede e usuários(as) da música em rede. Para saber sobre o movimento música para baixar, assim como o seu manifesto, acesse: http://musicaparabaixar.org.br/

América Latina dá passos para a democratização da comunicação

Publicado em FNDCFNDC

Novos Caminhos para a Democratização da Comunicação na América Latina começam trilhados ser um. Exemplo disso é a Realização da 1 ª Conferência Nacional de Comunicação no Brasil eo polêmico Projeto de Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, apresentado pela presidente argentina Cristina Kirchner. O argentino Guillermo MASTRINI, Em uma entrevista e este-Fórum, avalia que essas iniciativas são reflexo das mudanças no contexto político da América Latina (AL).
Guillermo Mastrini, licenciado em Ciências da Comunicação e docente da Universidade de Buenos Aires (UBA) e da Universidade Nacional de Quilmes, considera que a caminhada para a Democratização dos Meios ainda é longa, mas que nunca antes a participação da sociedade civil foi tão ativa . Hoje, na América Latina, garante ele, uma Maioria de Governos moderadamente de esquerda ou de centro-esquerda, está disposta a buscar, ainda que lentamente, uma outra configuração dos sistemas de comunicação.

Em entrevista concecida ao e-Fórum, o professor e autor do livro “Los dueños de la palabra”, lançado na última sexta-feira (18), em Buenos Aires, fala sobre a nova lei argentina de comunicação audiovisual, uma concentração dos Meios , A necessidade de políticas públicas ea luta por uma comunicação mais democrática. Leia um seguir:

O projeto da nova Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual (confira aqui), aprovado no dia 17 último pela Câmara dos Deputados da Argentina, vem gerando polêmica. Qual a sua avaliação sobre o projeto?

MASTRINI: Eu creio que em termos gerais um projeto é bom, ele avança notavelmente não definir um sentido de Radiodifusão eo sistema de comunicação audiovisual numa abordagem mais ampla, como um Conceito de Liberdade de Expressão vinculado ao direito à comunicação e não a uma liberdade de Expressão Entendida nenhum sentido estreito e que somente é garantida Aqueles que detem o controle dos meios. Ou seja, é um conceito de liberdade de expressão que garante ao conjunto da cidadania uma participação nos meios.

Logicamente, como em toda Ocorre uma “América Latina – Podemos ver isto recorrentemente na Venezuela, no Equador, na Bolívia e também no Brasil – cada vez que um Governo quer legislar uma Radiodifusão, dar aos Serviços de Comunicação um sentido democrático, os donos dos Meios midiáticos Imediatamente começam a dizer que se trata de um ataque à liberdade de expressão. Na verdade, trata-se de um ataque a sua “” liberdade de expressão, porque a liberdade das empresas Pretende ser absoluta. Eels acham que são os únicos com direitos para transmitir, dominam todos os Meios e não querem nenhuma restrição. Quando se CRIAM novos direitos para outros Cidadãos, obviamente, se esses entra em choque com Interesses. Isso precisa ser entendido.

A Argentina tem até hoje Uma legislação com clara concepção autoritária, que provém da ditadura [ocorrida no País entre os anos de 1976 e 1983], e nesse sentido é muito importante que se POSSA sancionar essa nova lei.

De que forma essa lei contribui para uma comunicação mais democrática na Argentina?
MASTRINI: Bom, para começar, há um grande avanço ao que se reserva em torno de 33%, um terço do espectro radioelétrico, As organizações sem fins lucrativos. Quero dizer, a Lei concebe que essas Organizações Não só licenciadas también, como Devem ter um espaço reservado, porque, senão, se torna um direito falho. Para nós, esse é um ponto muito, mas muito importante na ideia de avançar para uma democratização da comunicação.

Além disso, também avança na “desmonopolização”, ou seja, impõe limitações importantes aos grandes grupos econômicos para Serem Proprietários dos Meios de Comunicação. Surgidos Isso implica também uma Necessidade de retrair investimentos aos grupos multimídia na década de 90 Restrições.

Eu diria que os principais elementos que a Lei possui, em matéria de democratização da comunicação são, como ações de caráter anti-monopólio eo Aumento da participação da sociedade civil nos Meios de Comunicação.

A presidente Cristina Kirchner Determinou uma retirada das Empresas Telefônicas do controle da TV a cabo no novo projeto. Como o senhor vê isso?

MASTRINI: Eu acho, e essa é uma POSIÇÃO muito pessoal, que as telefônicas vão acabar entrando de toda forma não Setor de Serviços Audiovisuais. Nesse sentido, penso que seria melhor regular uma maneira como vão entrar, e não esperar para que entrem depois regular.

Agora, é certo que não haveria consenso político para aprovar o projeto, se não fosse feita essa retirada. Então, podemos observar de duas maneiras essa modificação. Se observarmos do ponto de vista de qual lei, seria melhor um, creio, um ingresso o que permitia, mas que o regulava de forma Claramente anti-monopólica. Mas, acho que na política, nem sempre o melhor E o mais Adequado – se essa melhor redação levaria uma uma rejeição da lei, de nada adiantaria. Com a modificação, muitos deputados votaram um favor do projeto, e é isso que importa. Me parece, então, um saldo positivo é que ter feito a mudança. Em termos técnicos Estritamente, porém, não estou de acordo.

Qual o papel do Comitê Federal de Radiodifusão (COMFER)? Por que ele não consegue Evitar uma Existência dos monopólios / oligopólios?

MASTRINI: Bem, a atual Legislação permitiu uma conformação de oligopólios. O objetivo da nova lei é Gerar um marco normativo que os impeça.

O COMFER não regula, só aplica a lei. É aquele que tem o poder de polícia em relação à Radiodifusão. Tem também participação na publicação das Licenças, mas não é concretamente um regulador, é uma agência de controle e de aplicação. Regular fica exclusivamente nas mãos do Congresso da Nação.

Em sua pergunta, está implícita uma dúvida em relação à Capacidade que uma futura Autoridade terá aplicar para Cumprir e fazer uma nova Legislação [no projeto aprovado pela Câmara, está prevista uma criação de um órgão específico para os Serviços de Comunicação Audiovisual]. Também temos dúvida quanto a isso, porque o poder dos Meios de Comunicação é muito grande.

É preciso destacar que a nova Lei da Radiodifusão vem precedida de uma enorme pressão social, algo parecido – mas com menos tradição e Fortaleza – ao FNDC. O que nós chamamos de Coalizão por uma Radiodifusão Democrática elaborou uma base do projeto, não escreveu uma Lei, mas ajudou um construí-la baseando-se na Filosofia de um projeto Arraigada de origem na mobilização popular por uma Radiodifusão Democrática.

Políticas Públicas

Em países como Venezuela, Chile e mais recentemente o Equador, começam a discutir uma reformulação das Leis de comunicação. Como o senhor avalia esse novo cenário na AL?

MASTRINI: Temos que entendê-lo num contexto histórico. Na AL, os donos dos Grandes Meios historicamente dizem que a melhor lei é aquela que não existe, eo que eles fizeram foi Pressionar para que não houvesse regulação dos meios.

Neste momento, a dinâmica do mercado comunicacional, com uma erupção das Novas tecnologias, de novos setores como as empresas telefônicas, fazem com que seja muito importante ter que regular. Porque há novos atores, há novas políticas para Desenvolver, e nesse sentido é Necessário que se estabeleçam regras de jogo claras.

O que mudou, em relação à história, é uma situação política. Estamos num contexto diferente do que ocorreu Tradicionalmente. Hoje, há uma Maioria Governos de na região moderadamente de esquerda ou de centro-esquerda. Nessa conjuntura, evidenciou-se que os Acordos feitos pelos Governos que não eram desses campos, com os Proprietários dos Meios, não eram tão Nitidos. Assim, se abriu uma discussão de como regular uma comunicação. O que Deveria Ter Sido feito desde as origens da Radiodifusão. É curioso que não se tenha feito antes e, portanto, resulta tão conflitante fazê-lo nesse momento.

Em relação às políticas públicas de comunicação, qual é o panorama na AL?

MASTRINI: O interessante nesse ponto é que se voltou a falar das políticas de comunicação no continente latino-americano. Esse tema teve muito fervor e incidência na década de 1970 depois e entramos em um túnel escuro nos anos de 1980 e 1990, onde era praticamente um palavrão mencionar a expressão “políticas de comunicação”. Por sorte, hoje está se abordando o tema.

Eu digo sempre que há três atores principais nas políticas de comunicação: o Estado, como empresas ea sociedade civil. Creio que pela primeira vez uma sociedade civil está participando. Em geral, se revisamos a história das políticas de comunicação, três dos Atores dois participavam assim, como empresas eo Estado.

Há uma redefinição das políticas de comunicação, em alguns casos se avançou mais em termos de democratização, nem tanto em outros. E nesse processo se destaca a consciência da sociedade civil de que precisa intervir, é claro que essa intervenção nem sempre tem um Necessária força, mas esse é um processo de organização que leva tempo.

Que medidas PRECISAM ser preconizadas para expandir as políticas de comunicação na AL?

MASTRINI: O primeiro passo que temos a dar na social são leis de Radiodifusão elaboradas de maneira democrática com participação e América Latina. Agora, esse é um ponto de partida, A aplicação dessas leis Requer um trabalho contínuo. A lei não é o ponto de chegada da política de comunicação, é a base. Para a Realização dessa política, há uma tarefa social importante que é o acompanhamento diário para construir uma comunicação melhor e mais democrática.

Qual sua avaliação sobre a adoção do modelo da TV digital brasileiro em outros Países latino-americanos?

MASTRINI: Acho que teria Sido melhor que todos os Países juntos tivessem negociado. O fato de o Brasil ter negociado sozinho, primeiro, e depois ter conseguido que o resto dos Países assumisse o modelo, marca Claramente A importância do país, neste momento, como líder regional.

Se pensarmos nas diretrizes estratégicas regionais, creio que teria Sido melhor ter negociado. Porque assim, quem conseguiu as condicoes melhores foi o Brasil. De toda a forma, teria Sido melhor para o conjunto da sociedade integralmente negociar com os Países Condições boas para todos, levando em Consideração o mercado. Está claro, porém, que o fato de Vários Países escolherem uma norma japonesa permitira alguma Integração regional em matéria de políticas industriais. Depois teremos problemas derivados do fato de não ter-se conjuntamente negociado e ainda disputa bastante em termos dos direitos e tutela de cada um dos Países.

Concentração dos Meios

No livro “Los dueños de la palabra”, que está lançando agora, o senhor trata da concentração dos Meios de Comunicação. Fale um pouco desse livro.

MASTRINI: Nossos trabalhos médias Revelam nos, logicamente tudo é variável, mas em termos gerais, no sistema de comunicações, como quatro primeiras empresas de cada concentram mercado 80% da propriedade, não só dela, mas das audiências – e esses números são muito altos . São realmente Níveis significativos para qualquer indústria, principalmente para uma indústria onde estão em jogo os valores simbólicos, uma difusão de ideias.

Precisamos dizer que, em todos os mercados que nós estudamos – imprensa gráfica, rádio, televisão, televisão a cabo ou por assinatura, telefonia móvel e fixa -, os mais concentrados são os mercados Telefônicos. Também vimos que há uma tendência das grandes empresas telefônicas em expandir-se para o setor audiovisual, especialmente através do primeiro cabo. E há uma tendência de que duas grandes empresas telefônicas da região tenham cada vez mais penetração em todos os mercados – a Telefônica da Espanha ea Telmex do México estão presentes praticamente em todos os Países da América Latina e Mercados ganhando cada vez.

Quais são as características e problemas semelhantes Nos países nessa questão da concentração?

MASTRINI: Em geral, Os níveis de concentração são muito similares. Como nós haviamos estudado, os maiores Países, com população maior, maiores mercados tem, e por isso um pouco mais de diversidade que os países pequeños. Pela simples questão de que o tamanho do mercado Permite uma Existência de mais meios. De toda forma, Os níveis de concentração são muito altos em todos os Países.

Onde é mais amena uma concentração dos Meios de Comunicação?

MASTRINI: Podemos dizer que no Brasil o nível é alto menos, mas é também muito alto. Brasil e México, em alguns pontos, menos concentração tem. Pela simples razão de que como são mercados maiores, Possuem Meios mais. Níveis ainda Mas com altíssimos. Verificamos os maiores Países Têm Níveis mais baixos de concentração. Mas se pensamos de outra maneira exemplo, por que no Brasil, a média pode estar em 75%, dominar e 75% num mercado tão grande e poderoso como o brasileiro, isso é ter uma potência econômica tem nenhum grupo que não resto do continente.

Como fica a Comunicação Comunitária em relação à concentração dos Meios?

MASTRINI: Em geral, há muito pouca regulação que favoreça uma Comunicação Comunitária. Temos um exemplo recente muito bom, surgido no ano passado, que é o caso do Uruguai. Lá, pela primeira vez, tem uma importante Legislação em matéria de Radiodifusão Comunitária, mas em termos gerais, há muito atraso. A Legislação chilena é muito ruim, muito, porque quase condena uma Existência da comunicação comunitária em vez de incentiva-la. A mexicana também é bem ruim. E por aqui, na Argentina, estamos no começo.

A nova Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual Argentina permitira, sem ser uma lei específica de Radiodifusão Comunitária, estimular o setor a partir do Forte que dara Incentivo às Organizações Não Governamentais. Mas há muito a ser feito em matéria de Radiodifusão Comunitária.

Quais são as carências e méritos encontrados quando se trata dos Marcos Regulatórios?

MASTRINI: Os Meios de Comunicação Estavam acostumados uma uma regulação que os protegesse e nunca enfrentasse seus Interesses. Isto tem Sido tradicional na AL. Sempre a Regulação dos Meios favoreceu uma expansão dos grupos Multimídias. E é por isso que, se fizermos um processo de revisão e visualizarmos uma nova tendência na qual se POSSA compreender que não só os Meios de Comunicação devem os favorecidos ser, mas sim todo o conjunto, estaremos numa etapa mais democrática na comunicação.

O que mudou desde uma publicação de magnatas “Periodistas y” [seu livro anterior, publicado também em conjunto com Martín Becerra] até “Los dueños de la palabra”?

MASTRINI: Não mudou muita coisa. O que se confirma é uma tendência de alta concentração. Nós destacamos como principal diferença o fato de as telefônicas, sobretudo empresas como Telefônica e Telmex, como eu já apontei, estarem cada vez mais presentes em todos os mercados da AL como e quanto maiores do setor. Nesse sentido, parece uma questão chamativa, para se dizer o mínimo, que está se formando No nível Telefônico uma espécie de duopólio, um monopólio de dois. E que vai ter, sem dúvida, uma incidência nenhum setor audiovisual.

Democratização da comunicação

Quais são os desafios para uma democratização da comunicação?

MASTRINI: O fundamental é que se POSSA ESTABELECER em todos os Países uma regulação que limite Claramente o desenvolvimento dos dos monopólios e oligopólios. Que, ademais, estimule uma política pública. Não basta Limitar os monopólios, creio que uma política pública de comunicação que tem além disso, Promover a diversidade. O mercado por si mesmo não está em Condições de Promover uma diversidade, portanto, resulta fundamental que haja uma intervenção do Estado para Garantir Meios diversos.

Como fazer para uma sociedade mais se envolver?

MASTRINI: Eu acho que é um trabalho que a própria sociedade fazer DEVE. Não há uma receita. Acho, claro, que o fato de existirem Organizações como o FNDC, ou Organizações democráticas que tenham presença social e cotidianamente vinculem se a sindicatos, a movimentos de base é importante. Não é uma tarefa fácil. Então, tudo que se faz servir para avançar. Logicamente, sempre se falta recurso, boas articulações, sobretudo termos Capacidade de outras Instâncias articulação com. Acho que é mais ou menos isso trabalhando, seguir, participando, estando presente.

Confecom

Em relação ao Brasil, como o senhor vê a Realização da 1 ª Conferência Nacional de Comunicação?

MASTRINI: Nos vemos com muita expectativa, porque neste momento, o Brasil, políticos em ternos gerais – não específico da Radiodifusão -, está se transformando numa referência inquestionável para toda a América Latina. Nesse sentido, o que acontece no Brasil vai ser importante. Nós, por exemplo, esperamos que finalmente o governo de Lula POSSA sancionar uma Lei de Radiodifusão democrática.

Mas eu vejo isso com certo ceticismo. Parece-me que o governo Lula tem Mantido uma relação de equilíbrio. Com muitas virtudes em muitas áreas, em matéria de políticas de comunicação, mas ainda não enfrentou os grandes grupos de multimídia. Não digo que Esteja um favor, mas tem tido uma relação de equilíbrio, especialmente com o grupo Globo. Se considerarmos uma norma de televisão digital, vemos que não há confrontaçao. Não Deveria acontecer que ela, mas me parece que seria melhor se privilegiassem mais os Interesses da sociedade civil, editando uma Lei de Radiodifusão emanando a vontade popular e não só levando em Consideração os Interesses dos grandes grupos corporativos.

Espero que a Conferência Nacional de Comunicação, que se Levará a cabo agora em dezembro, seja um passo a mais nesse sentido. Eu vi exemplo, por, que revogaram uma lei de Radiodifusão da ditadura [Lei de Imprensa], mas ainda não sancionaram uma nova. Isso ficou um tanto complexo, é como se vocês estivessem na metade do caminho, e creio que seria muito importante para percorrer o Brasil a outra metade para finalizar essa questão.

* Com a colaboração de Fabiana Reinholz

Os Três Mal-Amados

João Cabral de Melo Neto

Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

Visita

Um tempo distante, com minutos, horas contadas/voltadas ao Trabalho de Conclusão da facul.

um ou outro café, doses homeopáticas de vinho. Raros goles de cerveja. Parte de meus dias consumidos por folhas, livros, sobre os quais me debruço, e os quais se espalham do quarto, tomando a casa inteira.

Tentando também superar um certo “porblema” o ler no monitor.

Não gosto muito. Essa coisa de ficar horas em frente ao pc só mesmo por causa do trabalho. Sei que deveria estar acostumada, mas preciso do tato, do contato com o papel; e se estou aqui agora é porque fiquei distante o suficiente para sentir uma ponta de saudade.

dessa forma de comunicaçao que faz parte de meus dias, mas nao inteiramente de mim, pois ainda prefiro palavras postas em livro, cartas enviadas por papel.

Indolência

“… ao perceber coisas erradas, não passe com indiferença…” Maiakovski

A breve visita ao mundo lá fora, procurando dar asas a inspiração que veio visitar o meu travesseiro num inicio de sexta que de longe vinha com breves sorrisos de sol.

Nessa incursão, o olhar pousa por uma cena que prende sua atenção. Um ato que por bons hábitos, que “nasce” depois do primeiro choro nos é passado: o banho. 

E porque algo tão normal e necessário atraiu os olhos?

Talvez pelo simples fato dele se dar em via pública, no lago dos açores em frente ao prédio onde trabalho. Um morador de rua banhava seu corpo e suas vestes em águas nada cristalinas. Fato que acontece quase todos os dias. Mas mesmo assim os olhos ao olhar para paisagem que se mostrava da sacada sempre pousava nessa cena e se fixam.

E um sentimento, longe da pena ou da repulsão emerge algo não definido, nada que inquieta-se por muito tempo o coração. Mas algo que faz despertar da indolência que espreita e que por muitas frestas tomar conta do corpo, dominar o espírito.

Desperta um leve sentimento de revolta com a situação que se passa com o Estado (RS), que deixa e transforma o Alegre em Porto Caos. Onde uma minoria barulhenta, fala e grita por uma maioria que permanece silenciada, seja por vontade, por medo, por falta de coragem ou por outro motivo qualquer. Enquanto uma certa senhora se diz ameaçada, quando a verdadeira ameaça cada vez mais vai tomando forma, se revelando: Yeda Crusius.

Enquanto milhares lutam por seus direitos, professores, alunos, policiais, servidores públicos, aposentados, bancários, pais, etc. outros tantos no balcão de negócios políticos tecem suas teias conspiratórias beneficiando um governo obscuro, para não dizer sujo. Que nem a água, mesmo suja,  que banha o morador de rua nessa manhã poderia limpar.

Foto Débora Birck

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Somos limitados por aqueles que deveriam garantir não só a liberdade como a igualdade. Somos tolhidos e boicotados na nossa essência se ser, de exercer nossa voz. Talvez fosse mais fácil, pratico cômodo até, ficar vegetando e ruminando, deixando os anzóis atravessados na garganta. Mas os poucos, e espero que cada vez mais, os anzóis incomodem a todos e nos reunimos a essa hoje pequena maioria.

Já que talvez não consigamos nos livrar, a pelo menos diminuamos o gosto do fel, faça, os barulho, para que no futuro próximo não sejamos mais tão negligencialmente  e abruptamente vilipendiados.

E Juntos, seremos paredes pinchadas de romantismo, contestação e revolta. E seremos sempre assim, mesmo que seja nos nossos espaços, com nossas vozes que não se poderá calar.

Reproduz agora um texto de uma grande amiga, que apesar de já ter transcorrido cinco meses é ainda tão verdadeiro, com vocês, Renata Machado.

Foto Renata Machado   renata-machado1
October 16, 2008
Liberdade, abre suas asas sobre nos
Antes de ser de esquerda ou direita, eu sou a favor da liberdade. A liberdade de ser o que quiser e ser respeitado por isso. A liberdade de se identificar com uma causa e ter o direito de lutar por ela. A liberdade de fazer escolhas e de escolher ficar do lado da minoria.

Hoje é Dia Internacional de luta pela Soberania Alimentar, que é o direito que todas as pessoas têm de se alimentar decentemente. Durante todo o dia houve manifestações em Porto Alegre e eu acompanhei tudo, por conta do meu serviço.

Na parte da tarde foi realizada a 13ª Marcha dos Sem, que reuniu em torno de 8 mil trabalhadores, para protestar contra a corrupção, a crise dos alimentos, o descaso com os servidores públicos e a criminalização dos movimentos sociais.

E eu fiquei chocada com o modo que a Brigada Militar tratou os manifestantes. Quando chegamos na esquina do Palácio Piratini, os policiais que acompanharam toda a Marcha, alopraram. Bloquearam a passagem do carro de som e partiram para a agressão. Foi horrível. Um absurdo. Soltaram bombas de efeito moral, machucaram pessoas, usaram tiro com bala de borracha.

Eu vi isso tudo, chocada, de cima do carro de som. Já participei de várias manifestações, mas nunca tinha visto tamanha violência e truculência. Fiquei com raiva daquela atitude e com vergonha da sociedade que vivemos.

Não acredito que um produtor rural que saia de uma cidade do outro lado do Rio Grande do Sul, atravesse o Estado em ônibus sem o menor conforto, queira armar confusão. O mesmo penso dos professores estaduais, do pessoal do Movimento Sem Terra, da Via Campesina… Há muita gente estudada, politizada e culta nos movimentos sociais. Estão longe de serem marginais. Apenas escolheram lutar pelos direitos que todos deveriam ter.

Quando eu falo que sou a favor da liberdade, é da liberdade individual e da liberdade de cada grupo que compõem uma comunidade. E esses, tem todo o direito de se manifestar se o Estado não oferece condições de uma vida digna.

O povo brasileiros sempre foi um ativista nato, é só olhar para a nossa história, quanta revolução já fizemos? Quantas vezes já fomos para a rua? O problema é que na época da ditadura, as manifestações acabaram, foram duramente reprimidas…

Quando o regime militar acabou, o estrago já estava feito, já tinham nos convencidos que “brasileiro é pacífico, é bonzinho”, “que o Brasil é o país do futebol e carnaval”, “que não tem memória”… Acabamos achando que qualquer pessoa que não se conforma com uma situação, é um marginal.

O que vi hoje, não tem explicação. Revolta. Como jornalista, fico chocada de como a mídia consegue alienar, enquanto deveria informar. Ao invés de ampliar os horizontes, limita. Onde está a função social da comunicação?

Agora, o pior de tudo, depois que a manifestação acabou, me dirigi com uma colega, que é socióloga, para pegar um táxi ao lado do teatro São Pedro. Entramos no primeiro táxi, o motorista nos perguntou se estávamos no protesto, ao saber que sim, falou: “descem porque eu não vou levar marginal!”. Saímos, sem acreditar no que estava acontecendo. No segundo táxi a mesma coisa: “marginal não entra”.

É inaceitável taxar manifestantes de marginais e tratá-los como animais… E as pessoas que resolvem se manifestar fazendo greve de fome? Tem coisa mais pacífica que não comer? Deixamos os taxistas para lá e fomos a pé, cansadas e revoltadas. Não com aqueles motoristas, nem com a Brigada Militar, mas com a falta de liberdade que assola a sociedade hoje em dia. Liberdade de ser o que é. Só.

Desapego de você

Deixar partir alguém a quem dentro de nós faz gritar o não
Desprender aos poucos das lembranças mesmo as mais doces
Por mais que venha a dor,
É preciso limpar a “casa”
Deixar entrar uma nova luz Desprender as “borboletas”
Desejando felicidade e um leve toque de sorte para o que fica desapegado de nós
Um novo caminho, outros girassóis

A melancolia dos dias cinzas

A sensação das pernas bambas por um simples encontro do acaso
Como se na noite anterior em que por breves momentos compartilhamos o mesmo espaço não tivesse tido qualquer significado
Mas foi assim, sob a fina garoa, quando os olhos por um curto espaço de tempo se cruzaram e um simples aceno.
O lampejo do desejo adormecido durante meses de silêncio e ausência, florescendo novamente, mais calmo e sereno, contudo longe de ser aquilo que definimos como amor.
Também não é reflexo dos “nervos” a flor da pele, pelo menos não no sentido alucinante causado pela volúpia. Foi algo mais terno e ao menos tempo pulsante.
Um simples instante para despertar algo em mim que andava dormente, algo que não sei explicar o que é, mas que me fez bem.
Ou talvez tenha sido a chuva, o dia cinza, as sombrinhas multicoloridas desfilando pelas ruas e calçadas de um porto-alegre nem sempre feliz.
Adoro dias tom de cinza

A vidraça fechada,
A chuva brincando na janela,
Tento afugentar o sono que vem com o marasmo, inúmeras xícaras de café, vício que há tempos me acompanha e do qual vou desistindo de lutar.
Querendo sair daqui, mas, aff, obrigações não deixam. E o relógio parece conspirar contra meu desejo.
Sem tempo para ficar sob a chuva, então contemplo distante, mais um dia pintado de cinza.

27

Talvez não seja a melhor forma de iniciar, mas não importa, vou fazer assim mesmo.

Domingo de manhã, depois de uma ressaca de lágrimas, um remédio para aliviar a cólica e algumas horas de sono mal recuperadas de dias insones, enfim o dia chegou novamente.

Mais uma passagem, outro aniversário e nada da minha mãe bater na porta do quarto às 10 e 45 como quase sempre faz em cada primeiro de março. E ela não vinha…

Distante das dores que antecederam minha chegada, numa segunda-feira de sol, nascimento sem choro, o que me valeu as primeiras palmadas.

As lágrimas  vêm mais fáceis agora, sem contato físico direto, mas causadas às vezes por sentimentos obscuros e por pequenas magoas e alegrias que o tempo vai tratando de administrar.

E das dores, as alegrias passageiras, as comemorações com direto a quase todos os anos com bolos, balões e todos os adornos de comemoração. Minha mãe sempre foi meio exagerada quando se trata de comida, e nessas ocasiões a casa sempre foi cheia. Até mesmo sete anos depois, quando nasceu a minha irmã, as festas continuaram na mesma proporção. A última “grande” festa foi aos 15 anos.

Depois, a passagem passou a ser celebrada um pouco mais intimista, mas sempre com bolos e pessoas queridas.

Voltando, para o mundo hoje. E minha mãe não vinha para dar o abraço, e voltei ao sono quando Com o elemento surpresa, de amigos, da família, o presente surpresa, 11 da manhã, o sono desperto pelo carinho, ela finalmente veio.

Carinho e afeto que foram se complementado ao longo do dia com o acréscimo de mais pessoas doces. Ficou a falta sentida de algumas pessoas, mas nada pode ser totalmente candidamente perfeito.

E foram as “águas fechando o verão” que vieram saudar meus 27 anos, cercada de risos e doces-amores. Um dia cinza mais colorido, as lágrimas ficaram dentro, dando espaço para o brilho e para a festa interior.

Com direto a bolo com claves de sol. A música que tocava e lavava a melancolia que dias comemorativos sempre me causam.

PS.: Este post vem no lugar do discurso que não consegui proferir, vem agradecer ao carinho e amor das pessoas mais importantes da minha vida.

Sem confetes nem serpentinas

Não gosto muito de carnaval de avenida, e isso vem desde criança, raramente assisto  pela TV. Gosto sim das máscaras, das fantasias, estilo Veneza.  Ou dos carnavais de salão, de ruas e alamedas com seus bonecos gigantes, das sobrinhas coloridas, dos maracatus.

Nada contra quem goste, participe enalteça do samba promovido pela Sapucaí e outras que seguem esse modelo.  Suas cores, seu brilho, sua fantasia, sua vida efêmera.

Entendo a paixão, o amor que levam as pessoas a defenderem suas escolas com tanto fervor.

Confesso que durante algum tempo meus personagens preferidos foram o mestre- sala e a porta-bandeira.

Ontem, dei folga ao meu prazer /vício da leitura e me rendi à corte do rei momo televisiva, mas não agüentei muito tempo; apesar das cores, dos enredos até interessantes, da explosão da alegria, em mim veio o fastio.

Todo aquele espetáculo multicolorido, muito bonito admito, mas depois quando raia o ultimo dia, para onde tudo irá depois da quarta-feira de cinzas; todos aqueles adornos, quantos serão reciclados?

E todo o dinheiro “investido”, gasto onde vai parar?
Sim, são instantes de beleza, emoção, alegria, mas são instantes, que apesar de ficarem gravados, os seus mimos são “queimados”.

Por outro lado, é bonito ver a emoção das pessoas que compõem  a comunidade que labuta pela escola, muitas das quais pagam por suas fantasias, que naqueles 80 e tantos minutos vem explodir o universo paralelo que ajudaram a criar. E que continuaram a gerar.

Eu continuo preferindo a dança ao redor da fogueira; dos véus soltos, dos pés descalços. Das cores, do brilho, da alegria barata e continua.

veneza1