tempo

e as pegadas deixadas no caminho….

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Aos poucos

Há tempos que não vinha aqui, não por falta de tempo ou vontade. Outros planos e acontecimentos vieram. Começando pelo TCC  (do qual sai com distiñção) e depois planos para um futuro mestrado, adiado para o ano que vem e quem sabe em outro Estado.

E também o fator preguiça, mas aos poucos vou retornando. Bem aos poucos. A seguir um texto belo da grande amiga, Débora Birck, a “menina” dos olhos inquietos.

Meu ser

 By Fabiana Reinholz

Gosto de amores libertos, sem posse e definições, incondicional
Gosto de dançar ao redor da fogueira, dentro e fora do mar
Do cheiro da chuva, de terra e grama molhada
De flutuar, voar sem destino estabelecido
De carinho sem grude, de palavras doces
Das mentiras sinceras…
Gosto da excessiva liberdade
Das longas caminhadas, dos mergulhos mais profundos
Das claves de sol, de fá, de La, que fazem musicas a dias estranhos
De abraços, afagos, beijos e sorrisos demorados
De lágrimas q lavam almas
Gosto do caos que se faz preciso quando o enfado satura os dias
De um pouco de libertinagem, mesmo que essa seja em pensamentos
De novas e velhas fotos
Das boas lembranças de amores e amigos sinceros
Da desordem de mim, do meu quarto onde só eu me acho …
De enigmas e palavras cruzadas
E da necessidade das entrelinhas
De jogos de decifrar, de esconde-esconde, de pequenos e grandes prazeres
Dos castelos de carta que se desmancham com o leve toque da brisa
De tudo que for demasiado forte e sincero
Gosto de bebidas fortes, de venenos suaves
Do café para acordar da letargia
De chocolate quente/gelado para acalmar certas ansiedades
De bebidas fermentadas e outras destiladas para fazer esquecer
De uma boa “cozinha”,
De fartas sobremesas, de chocolates levemente apimentados…
Gosto da noite, da rua, da alegre e inebriante boemia
Dos dias de sol, de olhar borboletas, flores e beija-flores
De alimentar os pássaros
De dias nublados,
Do sol após a chuva ácida
Dias de frio enrolada no cobertor
De calor para entrar e olhar o mar no mar
de ver as ondas arrebentando das pedras
Gosto de ficar a toa
De horas incontáveis de leitura, de poesias
De por em pratica e em ordem pensamentos disformes através de palavras
De me perder e me achar…
Gosto da loucura e da razão que habitam em mim
Dos meus deuses e demônios que passam horas a conversar
Que me fazem rir e chorar
Dos sonhos que embalam e se contrapõe a realidade
E que servem como estimulo para sempre recomeçar
Do silencio das palavras
De dias agitados e calmos
De breves pausas
De soltar as amarras
De não ter que ter respostas a tudo,
Gosto….

De ser um mistério para mim mesmo

“De vez em quando você tem que fazer uma pausa e visitar a si mesmo.” Audrey Giorgi

Descompasso da vida

“O programa desta noite não é novidade, vocês já viram esse filme uma porção de vezes, vocês viram seu nascimento, sua vida e sua morte e devem lembrar-se de todo o resto”.

Inveja, vaidade, luxúria, cobiça, avareza, gula e preguiça. sete pecados permeando dias. Crianças nos sinais, seringas perdidas nas ruas. Todo risco, nenhum cuidado; sonhos mutilados, nenhum motivo para sorrir, a não ser o único fato de ainda estar vivo.

Você vê tudo e diz: Triste quadro; acompanha  pela TV como um reality show mórbido. Se sensibiliza, se enraivece, pode chegar até chorar, mas quando desliga o aparelho, logo esquece. No seu quarto, aspira alcançar os anéis de saturno; no seu carro, pela janela do ônibus ou ao andar pelas ruas, encontra crianças, velhos, adultos, pelas esquinas a mendigar trocados com ou sem troca por doces e outros mais. No caminho também depara-se com seringas no chão e o cheiro acre de sangue na calçada. Você passa por tudo isso e não liga, tudo ficou tão banal, que nem a violência o assusta mais. A única coisa que resta é a corrida contra o relógio, a busca por “um lugar ao sol”. Por isso, não divide, “come” tudo o que vê, não ajuda.

No espelho,vê seu lindo rosto  turvar-se e envelhecer com seus vícios. Você corre, mas não pode mais fugir. Finalmente percebe que o filme de ontem era um retrat de sua vida, cujo final já sabe.

Se lembra então das pobres crianças e de que aconteceu com muitas delas: Será que seria possível contar quantas já foram mortas ( mesmo estando vivas) e abandonadas por mera futilidade?

Pergunta-se o que poderia ter acontecido, o que levou elas as ruas, o motivo de tanto descaso. Percebe o quanto é futil e egoista, que não sabe ( ou que fingiu não saber) nada da vida, não conhece o valor de um abraço, de um sorriso. Se arrepende,conscientiza-se de tudo que não fez, de falar e fazer do amor o propósito de tudo, o mais sublime e importante movimento.

E agora? VoCê ainda acha que pode rebobinar sua vida?