Mapa do Acesso à Informação Pública na América Latina

Do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas

Num momento em que o vazamento de informações pelo WikiLeaks vem gerando debates sobre o direito de saber e a transparência governamental, o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas publica um mapa revelando a situação das leis de acesso à informação pública na América Latina.

O mapa do blog Jornalismo nas Américas compila informações sobre as normas em cada país e sua efetividade. Ele mostra por exemplo que, em dezembro, El Salvador se tornou o mais novo país no continente a aprovar uma lei de acesso a informações públicas. Enquanto isso, países como Costa Rica, Brasil e Cuba continuam sem uma lei específica que regulamente o direito de acesso a informação.

Este mapa é o mais recente de uma série de projetos especiais do Centro Knight, que incluem um perfil no Twitter sobre liberdade de expressão nas redes sociais, um mapa sobre ameaças a jornalistas e meios de comunicação no México e um mapa sobre a censura eleitoral no Brasil.

Mais detalhes aqui.

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Reflexões sobre Ensaio Sobre a Cegueira

Bem, antes que as férias acabem, consegui ler um dos muitos livros que estavam há tempos nas estante me chamando cada vez que por ele passava, e finalmente consegui  atender a seu pedido. recomendo a leitura e que cada um tire suas próprias conclusões.

O filme de Fernando Meirelles, na próxima semana, talvez.  

“A cada dia que passa, estamos ficando mais cegos” , surdos, mudos, sem percepção ao toque,
Aos  poucos,  perdemos nossos sentidos
 Muitas vezes nos deixamos vegetar
Acomodando-nos,
Achando que não precisamos mais sair as ruas contra pequenas atrocidades, desvios de direito ou um sutil massacre que nem sempre está ao longe

Empunhar bandeiras de protestos, para que? se ninguém as pode ver

Essa cegueira, em sua maioria escura, das pessoas que se deixaram pererter pela indiferença e a desesperança, tenta contaminar as

outras brancas, que  apesar da curta duração, também promovem o caos.

e assim, muitos vão se deixando levar pela opacidade da vista até anularem totalmente as coisas a sua volta

O sentido de ser humano vai se perdendo e só não voltamos a termos dominando os sentidos mais primitivos, porque os poucos que ainda veem, sentem

Não desistem na possibilidade de um mundo melhor
E mesmo a repressão vinda dos outros que apesar de ainda enxergarem, cegaram pelo egoísmo e a raiva latente

Não faz com que essa epidemia que a tudo suprime, lhes tire os sentidos de estar vivo.

Eu vi seus olhos chorarem gotas de sangue

Afrodite em frente ao espelho não percebe os cacos a sua volta. Envolta ao fino cetim e seda que cobrem seu corpo, adorna seus longos cabelos.
Nem ao menos nota quando Pandora descuidada abre a caixa.
Enquanto isso, Eros, deixa de lado suas flechas, toca sua doce flauta, fazendo as ninfas dançarem.

Atena ensina o povo das estrelas sobre razão e paz. Baco se diverte rodando e rolando pela grama com sua taça em mãos. Ares traça planos de guerra.
Apolo e suas adivinhações, Artemis admirando a Lua, Hefaístos o fogo, Hermes segue sendo o mensageiro, Dionísio protegendo a vindima enquanto Diana caça.

Hades a cuidar dos infernos, Poseidon dos mares, Héstia dos lares, Deméter, a terra. E Zeus, tentando apaziguar os ânimos de Hera.

Sob urano, bem acima de Gaia, tudo segue em confusa paz, ordem e ambrosias.

 

Enquanto aqui, abaixo, muito alem do paraíso, os homens se perdem em meio ao caos.  Onde as tragédias viram circo. Os dias tropeçam em dejetos de dissimulações. A crise estourando em bolhas, ora econômicas, ora sociais, políticas, ou todas juntas. A ampulheta há tempos se quebrou e não temos Perseu pra liquidar nossos monstros, Teseu para liquidar com os nossos minotauros escondidos em intrincados labirintos, nem Édipo, muito menos Hércules pra nos libertar de nossos grilhões invisíveis.

Nossos dias tragados pela pressa, pelo leve e mascarado egoísmo e pueris leviandades ainda abrigam resquícios de compaixão, ternura e amor/calor humano, lembrados principalmente nos meses de dezembro, quando somos afetados pelos ares que rondam essa época, da qual eventualmente nos lembramos de seu significado, que tem como seu maior signo, o nascimento de Jesus (que ficou até agora fora dessa história porque veio muito tempo depois dos deuses gregos). O crucificado, que morreu pelos nossos pecados, o reencarnado.

A quem inúmeras vezes usamos seu nome em vão, a quem em nome Dele, travamos as mais imbecis guerras, a quem em nome justificamos tudo. A quem esquecemos os verdadeiros ensinamentos. A quem nos perguntamos onde está quando desastres/fatalidades nos acometem, quando as mesmas são provocadas por nossa constante e cega burrice, que fabrica monstros, que coloca parvos no poder. Que não aceita, que vilipendia o que não cabe na visão curta que temos do mundo.

Perdemos tempo com discussões que nunca levaram e levarão a nada. 

Sejam Deus, os Deuses do Olimpo, de Roma, do Egito, do Oriente ou na inexistência dos mesmos, enfim. No esquecimento, seus olhos choraram gotas de sangue.

Cremos, muitas vezes sem crer, esperando um milagre cair dos céus, enquanto acomodados vamos deixando a fome, a miséria lá fora, nos consolando com as parcas esmolas que ofertamos. Esperando que aqueles que nos criaram resolvam aquilo que vamos destruindo nessa tragicomédia nada grega.

Tempo perdido

Admirável mundo novo esse que se descortina, onde as brincadeiras de/na rua foram substituídas por telas, teclados e outros aparatinhos tecnológicos. Que “amores” têm a duração de um sonho de uma noite de verão. Onde tentam ditar prazeres ao consumo de nossos olhos, e das tentativas de alienação. A troca de carinho virtual.
Onde as crianças estão amadurecendo/envelhecendo muito mais rápido.
Deixando para trás, seus carrinhos, bonecas, castelos de cartas. As alamedas como extensão de suas casas, um porto a mais para seu, e só seu fantástico mundo.
Tudo isso, e outras coisas mais parecem estar passando tão rápido.

Meninos e Meninas, que até ontem brincavam com seus pequenos conteúdos de universo, seja estes bonecas, carrinhos, bolas… Ou até mesmo objetos que se tornam brinquedos. Abandonam, e “amadurecem” precocemente; diante muitas vezes do objeto nada inanimado, a televisão. A baba eletrônica, que guia esses pequenos seres, que os alimentam a seu bel prazer, com seu conteúdo que beira a alienação total. Já que não cumprem o que diz a Constituição de 88, de que deveria vincular cultura, programas educativos, etc.

Amores/ paixões fugazes que, por sorte, podem durar quatro estações.
Não tenho nada contra os encontros fugazes, desde que se esteja preparado, para a instabilidade de que são formadas as relações entre sexos opostos ou iguais. E a consciência plena, um breve acordo calado mutuo, de aquilo é para ser efêmero.
A espera até que o coração desperte.

Das velhas e recicladas promessas políticas. Dos planos cruzados. Da sopa de letrinhas dos partidos. Das ideologias que se amarelam. Dos cartazes e muros pinchados. Os debates, o circo armado. Da festa das eleições, depois do longo período, onde o que foi dito, não vai sendo cumprido. A cansativa burrocracia, os tapinhas nas costas, os sorrisos ensaiados, as farpas, o esquecimento do bem comum. Do povo que ora perde, ora reconquista suas crenças. A continuação do ciclo.

O comércio de quase tudo, a plastificação de desejos supérfluos. O consumo, a vida se consumindo em insípidas ilusões.  A mídia, a grande mídia fabricando, reinventando a ‘ realidade’ ignorando outras vozes, se impondo em nome de algo chamado audiência. Até usurpando para si, atos que já foram feitos por outros (exemplo a Record anunciando o primeiro correspondente na África, quando a TV Brasil já o fez).
Mas tudo bem, talvez essa ‘guerra’ entre emissoras justifique esses pequenos enganos.
E nessa luta por ‘mentes e corações’ televisa, vai se tornando um vale-tudo, onde vai se criando novas ‘ culturas’ que não acrescentam a nada, vão dando 15 minutos de fama a quem quase sempre não tem nada a dizer.

As mulheres vão virando frutas, muitos vão se tornando zumbis vegetando diante de um quadrado/retângulo audiovisual.

A janela se converteu para dentro desse universo. Onde descolamos nossa retina gradativamente.

O tempo vai passando cada vez mais rápido, ou talvez seja nossa percepção que vai ficando lenta diante desse admirável mundo não tão novo. Onde a imagem de um pôr-do-sol se torna um clichê – e pode até ser- mas não deixa ser belo, aonde cenas bucólicas vão perdendo a graça. 

É a pressa aos poucos tirando nossos instantes, nos roubando do convívio com nós mesmos e do outros iguais, ou diferentes de nós. Dos passeios, dos sorrisos, dos afagos e abraços, do Tetê a Tetê.

Desejava um mundo mais leve, mais despreocupado. Sem essa cegueira constante. O consentimento da dança com a vida, em dias de chuva, de sol, sob o brilho da lua, com ou sem estrelas. Dos velhos brinquedos, de verdadeiros e duráveis amores (mesmo que separados), da vida ativa e não na passividade de ser um mero telespectador, a queda do consumo só por consumir. Outras vozes, outras caras, sendo apresentadas.

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É preciso se livrar do vício da TV, do comodismo, de aceitar tudo que nos empurram. É preciso refletir, pensar, ir atrás.

Enquanto isso não acontece, peço licença para me desconectar para cuidar do jardim, brincar com a Tita (meu cãozinho) e ver o pôr-do-sol por sobre o telhado a vizinha.

Todo Se Transforma

Tu beso se hizo calor,
Luego el calor, movimiento,
Luego gota de sudor
Que se hizo vapor, luego viento
Que en un rincón de la rioja
Movió el aspa de un molino
Mientras se pisaba el vino
Que bebió tu boca roja.

Tu boca roja en la mía,
La copa que gira en mi mano,
Y mientras el vino caía
Supe que de algún lejano
Rincón de otra galaxia,
El amor que me darías,
Transformado, volvería
Un día a darte las gracias.

Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.

El vino que pagué yo,
Con aquel euro italiano
Que había estado en un vagón
Antes de estar en mi mano,
Y antes de eso en torino,
Y antes de torino, en prato,
Donde hicieron mi zapato
Sobre el que caería el vino.

Zapato que en unas horas
Buscaré bajo tu cama
Con las luces de la aurora,
Junto a tus sandalias planas
Que compraste aquella vez
En salvador de bahía,
Donde a otro diste el amor
Que hoy yo te devolvería

Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.

Jorge Drexler

Escola de rock

Trabalho desenvolvido na cadeira de Tele 2

Produção: Fabiana Reinholz/Fernanda Preussler

Texto: Fabiana Reinholz – contribuição Fernanda Preussler

Edição: Fernanda Herrera

Reportagem: Ana Helder

Filmagem: Davi

 

um pouco de mim

Queria me postar diante de mim, assim como um reflexo no espelho, mas toda vez me disperso, eu vou além de mim. “ Bem além do que sei”. Toda vez que tento me definir, alguma coisa sai errado. Talvez por oscilar muito entre meus desejos, por querer superar sempre meus anseios.
Mas dizer quem se é, ou quem se pensa ser, é algo um tanto perigoso e falho. Posso descrever meus gostos, o que me faz rir ou chorar, contudo isso seria um grão ínfimo de quem penso ser. Vou de uma alegria radiante a uma lágrima acida em questão de minutos.

Peixe elétrico, peixe voador

cat

Ser paradoxal, contrastante, contraditória, variável, multifacetada, sensível e receptiva

O sol débil depois da tempestade
A inconstância leveza de ser…
De flutuar à esmo, sem quase se preocupar onde possa pousar…
A fome e a saciedade….
revel e a candura…
Inteiro, pedaços
A sede incansável de experimentar…

E nesse caos entre saber quem é e tentar decifrar, nem que seja uma pequena partícula, vejo a vida passar de forma triste, corrida, e um tanto quanto banal. Com seu carnaval de serpentinas e confetes que nos machucam quando passa fevereiro; de uma alegria que se põe na quarta feira de cinzas. Com seus dias a rodar numa roda gigante feita de finas teias que mesclam dores e sabores. Tecendo nossa colcha de retalhos sem parar, juntando ao, às vezes nem tão nobre e puro pano, gotas de sangue que “enfeitam”, não só os retalhos, como também as onde crianças brincam.