Os vários eus..

Escrito por Fabiana Reinholz

Já fui queimada na fogueira….
Nada mais pode me machucar tanto…
Fui a mais bela das concubinas…das melindrosas a mais fabulosa
A mais terrível e temível guerreira…
A mensageira, nômade errante..
O lado mais doce das faces da lua…
Um anjo, um demônio
A realidade e a mais incrível quimera…
Na dança do ventre, eu fiz flutuar os véus
Num tapete mágico eu fui voar
A fervorosa dançarina espanhola eu já fiz surgir
Todos os destinos em várias mãos eu li…
Como boa cigana as mil caravanas conduzi
Eu sou a clave de sol de todas as canções que a todos faz dançar.
O fogo e a água me possuem…
Deslizo pela terral e pelo ar….
Sou a mentira mais sincera que você pode encontrar
Uma deusa, fada, bruxa, o anjo mais feliz
O principio, o meio sem fim….
Tenho a noite como companhia e o dia como condutor..
Um pouco do riso e tristeza mesclada para não esquecer que tudo é feito de passagem…
A bolha de sabão, as asas da borboleta…
O espelho e os cacos
Sou a constante invenção de mim
Um reservatório de infinitas possibilidades..
Que abita no labirinto sem fim…

Reencontrei minha espada, meu punhal e minha capa
Logo, logo terei de volta meu OM e minha flor de lótus
Agora estou pronta para voltar para casa…

Um dia eu volto…
Ou deixo outra de mim voltar…

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Meu ser

 By Fabiana Reinholz

Gosto de amores libertos, sem posse e definições, incondicional
Gosto de dançar ao redor da fogueira, dentro e fora do mar
Do cheiro da chuva, de terra e grama molhada
De flutuar, voar sem destino estabelecido
De carinho sem grude, de palavras doces
Das mentiras sinceras…
Gosto da excessiva liberdade
Das longas caminhadas, dos mergulhos mais profundos
Das claves de sol, de fá, de La, que fazem musicas a dias estranhos
De abraços, afagos, beijos e sorrisos demorados
De lágrimas q lavam almas
Gosto do caos que se faz preciso quando o enfado satura os dias
De um pouco de libertinagem, mesmo que essa seja em pensamentos
De novas e velhas fotos
Das boas lembranças de amores e amigos sinceros
Da desordem de mim, do meu quarto onde só eu me acho …
De enigmas e palavras cruzadas
E da necessidade das entrelinhas
De jogos de decifrar, de esconde-esconde, de pequenos e grandes prazeres
Dos castelos de carta que se desmancham com o leve toque da brisa
De tudo que for demasiado forte e sincero
Gosto de bebidas fortes, de venenos suaves
Do café para acordar da letargia
De chocolate quente/gelado para acalmar certas ansiedades
De bebidas fermentadas e outras destiladas para fazer esquecer
De uma boa “cozinha”,
De fartas sobremesas, de chocolates levemente apimentados…
Gosto da noite, da rua, da alegre e inebriante boemia
Dos dias de sol, de olhar borboletas, flores e beija-flores
De alimentar os pássaros
De dias nublados,
Do sol após a chuva ácida
Dias de frio enrolada no cobertor
De calor para entrar e olhar o mar no mar
de ver as ondas arrebentando das pedras
Gosto de ficar a toa
De horas incontáveis de leitura, de poesias
De por em pratica e em ordem pensamentos disformes através de palavras
De me perder e me achar…
Gosto da loucura e da razão que habitam em mim
Dos meus deuses e demônios que passam horas a conversar
Que me fazem rir e chorar
Dos sonhos que embalam e se contrapõe a realidade
E que servem como estimulo para sempre recomeçar
Do silencio das palavras
De dias agitados e calmos
De breves pausas
De soltar as amarras
De não ter que ter respostas a tudo,
Gosto….

De ser um mistério para mim mesmo

“De vez em quando você tem que fazer uma pausa e visitar a si mesmo.” Audrey Giorgi