A melancolia dos dias cinzas

A sensação das pernas bambas por um simples encontro do acaso
Como se na noite anterior em que por breves momentos compartilhamos o mesmo espaço não tivesse tido qualquer significado
Mas foi assim, sob a fina garoa, quando os olhos por um curto espaço de tempo se cruzaram e um simples aceno.
O lampejo do desejo adormecido durante meses de silêncio e ausência, florescendo novamente, mais calmo e sereno, contudo longe de ser aquilo que definimos como amor.
Também não é reflexo dos “nervos” a flor da pele, pelo menos não no sentido alucinante causado pela volúpia. Foi algo mais terno e ao menos tempo pulsante.
Um simples instante para despertar algo em mim que andava dormente, algo que não sei explicar o que é, mas que me fez bem.
Ou talvez tenha sido a chuva, o dia cinza, as sombrinhas multicoloridas desfilando pelas ruas e calçadas de um porto-alegre nem sempre feliz.
Adoro dias tom de cinza

A vidraça fechada,
A chuva brincando na janela,
Tento afugentar o sono que vem com o marasmo, inúmeras xícaras de café, vício que há tempos me acompanha e do qual vou desistindo de lutar.
Querendo sair daqui, mas, aff, obrigações não deixam. E o relógio parece conspirar contra meu desejo.
Sem tempo para ficar sob a chuva, então contemplo distante, mais um dia pintado de cinza.

Meu ser

 By Fabiana Reinholz

Gosto de amores libertos, sem posse e definições, incondicional
Gosto de dançar ao redor da fogueira, dentro e fora do mar
Do cheiro da chuva, de terra e grama molhada
De flutuar, voar sem destino estabelecido
De carinho sem grude, de palavras doces
Das mentiras sinceras…
Gosto da excessiva liberdade
Das longas caminhadas, dos mergulhos mais profundos
Das claves de sol, de fá, de La, que fazem musicas a dias estranhos
De abraços, afagos, beijos e sorrisos demorados
De lágrimas q lavam almas
Gosto do caos que se faz preciso quando o enfado satura os dias
De um pouco de libertinagem, mesmo que essa seja em pensamentos
De novas e velhas fotos
Das boas lembranças de amores e amigos sinceros
Da desordem de mim, do meu quarto onde só eu me acho …
De enigmas e palavras cruzadas
E da necessidade das entrelinhas
De jogos de decifrar, de esconde-esconde, de pequenos e grandes prazeres
Dos castelos de carta que se desmancham com o leve toque da brisa
De tudo que for demasiado forte e sincero
Gosto de bebidas fortes, de venenos suaves
Do café para acordar da letargia
De chocolate quente/gelado para acalmar certas ansiedades
De bebidas fermentadas e outras destiladas para fazer esquecer
De uma boa “cozinha”,
De fartas sobremesas, de chocolates levemente apimentados…
Gosto da noite, da rua, da alegre e inebriante boemia
Dos dias de sol, de olhar borboletas, flores e beija-flores
De alimentar os pássaros
De dias nublados,
Do sol após a chuva ácida
Dias de frio enrolada no cobertor
De calor para entrar e olhar o mar no mar
de ver as ondas arrebentando das pedras
Gosto de ficar a toa
De horas incontáveis de leitura, de poesias
De por em pratica e em ordem pensamentos disformes através de palavras
De me perder e me achar…
Gosto da loucura e da razão que habitam em mim
Dos meus deuses e demônios que passam horas a conversar
Que me fazem rir e chorar
Dos sonhos que embalam e se contrapõe a realidade
E que servem como estimulo para sempre recomeçar
Do silencio das palavras
De dias agitados e calmos
De breves pausas
De soltar as amarras
De não ter que ter respostas a tudo,
Gosto….

De ser um mistério para mim mesmo

“De vez em quando você tem que fazer uma pausa e visitar a si mesmo.” Audrey Giorgi