Ausência das coisas

Desde 2009 e por todo ano de 2010, estive ausente daqui e de tantos outros lugares. Um retiro para dentro e fora de mim.

Não foi só a falta de inspiração ou tempo, mas tantos acontecimentos entre o fim e o início desses anos que algumas “coisas” foram para longe. Digo coisas por que se torna complicado dar nome aquilo que aconteceu e sumiu.

Foi um período conturbado e sereno. Conturbado por conta do trabalho de conclusão, a apresentação do mesmo, do qual sai com distinção. E a fase de ostracismo que seguiu depois, aí sim veio a preguiça e a falta de algo que não sei.

Aos poucos as “coisas” vão se acordando dentro e fora, e aos poucos retomo esse espaço que ficou abandonado. Pensei até em começar um novo, mais centrado e não tão avulso, mas deixa para lá. Continuo por aqui, tentando deixar de lado os rabiscos feitos em papel.
Tentando tornar esse espaço naquilo que se perdem por ai.

Passando o meu “inferno” astral, começo meu ano novo que espero que venha repleto “coisas” novas.

Até lá

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Partido

Onde foi parar o teu sorriso
Que durante tanto tempo me animou
E aquele terno brilho em seu olhar
Que a gora, turvo se tornou
Seu cálido beijo e seu meigo jeito
perdeu-se na penumbra do tempo
Nosso amor antes tão vivo… agora sós lembranças ficaram
E da vida que antes me era mais cara
Hoje só a tristeza restou…
E meu coração dilacerado
Aguarda no compasso a derradeira hora de dizer adeus
E me esquecer de vez toda essa dor
E olvidar para sempre da mina mente a frieza que agora somos nós, que inertes contemplamos as ruínas do que um dia foi chamado amor…

“a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão”
(Paulo Leminski)

Descompasso da vida

“O programa desta noite não é novidade, vocês já viram esse filme uma porção de vezes, vocês viram seu nascimento, sua vida e sua morte e devem lembrar-se de todo o resto”.

Inveja, vaidade, luxúria, cobiça, avareza, gula e preguiça. sete pecados permeando dias. Crianças nos sinais, seringas perdidas nas ruas. Todo risco, nenhum cuidado; sonhos mutilados, nenhum motivo para sorrir, a não ser o único fato de ainda estar vivo.

Você vê tudo e diz: Triste quadro; acompanha  pela TV como um reality show mórbido. Se sensibiliza, se enraivece, pode chegar até chorar, mas quando desliga o aparelho, logo esquece. No seu quarto, aspira alcançar os anéis de saturno; no seu carro, pela janela do ônibus ou ao andar pelas ruas, encontra crianças, velhos, adultos, pelas esquinas a mendigar trocados com ou sem troca por doces e outros mais. No caminho também depara-se com seringas no chão e o cheiro acre de sangue na calçada. Você passa por tudo isso e não liga, tudo ficou tão banal, que nem a violência o assusta mais. A única coisa que resta é a corrida contra o relógio, a busca por “um lugar ao sol”. Por isso, não divide, “come” tudo o que vê, não ajuda.

No espelho,vê seu lindo rosto  turvar-se e envelhecer com seus vícios. Você corre, mas não pode mais fugir. Finalmente percebe que o filme de ontem era um retrat de sua vida, cujo final já sabe.

Se lembra então das pobres crianças e de que aconteceu com muitas delas: Será que seria possível contar quantas já foram mortas ( mesmo estando vivas) e abandonadas por mera futilidade?

Pergunta-se o que poderia ter acontecido, o que levou elas as ruas, o motivo de tanto descaso. Percebe o quanto é futil e egoista, que não sabe ( ou que fingiu não saber) nada da vida, não conhece o valor de um abraço, de um sorriso. Se arrepende,conscientiza-se de tudo que não fez, de falar e fazer do amor o propósito de tudo, o mais sublime e importante movimento.

E agora? VoCê ainda acha que pode rebobinar sua vida?