A melodia pulsante do temporal subtropical

“De tudo um pouco, com quase tudo em demasia” a fonte pulsante que permeia a hibridez fulgurante da subtropicais ao quase extremo sul abaixo da linha do equador para compor a sua trilha.
O casamento entre poesia, psicodelia e música não é nenhuma novidade, mutantes, legião, cazuza, secos e molhados são alguns exponenciais desse gênero. Seguindo essa corrente e “arrastando” outras mais, a banda aproxima diferentes vertentes da música contemporânea. A fusão de estilos e ritmos da música brasileira sob uma base forte do rock mesclado com a competência e a naturalidade forma a base subtropical.

Na estrada há sete anos, a banda porto-porto alegrense nasceu da vontade de pôr em prática idéias despretensiosas de fazer músicas que conciliassem originalidade e qualidade, dentro da cena de rock do Rio Grande do Sul. “Não poderia ser uma mistura forçada de rock com samba ou qualquer coisa, tinha que ser uma sonoridade nova”, diz Leon Braw, baixista da banda. Em resumo, queríamos ter uma banda que tivesse composições nas quais houvesse espaço pra mais de meio século do rock and roll, e acima de tudo, músicas que nunca perdesse a referência da Terra, Gaúcha e Brasileira, e que nunca as negasse ou reprimisse como autêntica influência cultural”, explica.

Nome de significados diversos

Mudando um pouco a estética do texto, deixo a palavra livremente exposta de braw:
“o nome da banda originou-se da situação climática do estado de
nascimento da banda, que não é tropical, e está localizado abaixo do
trópico de capricórnio, também é numa alusão a estética do frio,
na qual os gaúchos sempre vivenciaram um distanciamento em relação
ao restante do país, e é uma alusão ao movimento tropicalista, que,
como muitos não sabem, foi um movimento artístico estético que apareceu
no país rompendo paradigmas e pré-conceitos da arte/música, que na época,
era muito purista, só celebrando artistas ou da bossa nova ou do rock
bretão, e ambos na sua forma mais purista.”

E assim ela vem, melodicamente, poeticamente, vem e flutua e vai além.

Subtropicais por eles mesmos:
“O temporal no céu da boca.
A Velha Nova Invenção.
De tudo um pouco com o quase tudo em demasia.
É aquilo de delirante do rock com frio, em um feliz
encontro de esquina com sambas tristes e desesperados
e grooves de um gole só, onde é bebido por completo
o som seco e direto!
É história de letra e compasso, descomplicados
na contradição pulsante de uma sinfonia indignada e irônica,
de uma revolta ingênua com dentes afiados!
Da tristeza que não vence, se renova e sai do corpo.
Tem sul, sol, temporal, pulsação e melancolia.
Música subtropical para todos os climas.”

-Alexandre Marques – guitarra/voz
historiador, fazendo mestrado, professor
toca no projeto “noite secos & molhados”
-Leon Brawl – baixo
estudante de arquitetura e urbanismo.
arquitetura, design, direção de arte em cinema e filmes publicitários.
toca também nas bandas Proveitosa Prática, Fruet & Os Cozinheiros
e Levitan & os Tripulantes.
-Roberto Landell – guitarra/voz

By fabiana Reinholz

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Sob o céu de Havana

habana

A lua prateada entra pela fresta de um teatro e ilumina os sonhos que nele foram depositados. Vem e faz companhia a uma guitarra solitária, em todas partes para onde quer que se vá, ela varre o pó da solidão.

Uma outra “face” de Cuba que a grande mídia não mostra é retratada em Habana Blues. Uma História permeada de sentimentos e conflitos, conduzidos pela música, com um olhar sem partidarismos que mostra a veia pulsante de um país, que assim como outros tantos da América Latina, vai fluindo apesar dos pesares. Com seus prédios, seus carros antigos, sua encosta. Mostra a escolha, muitas vezes difícil que temos de fazer na busca por um sonho, o preço a pagar pelo mesmo, as dificuldades de viver numa pátria querida e ao mesmo tempo esquecida da forças para essa gente lutar pela própria sobrevivência ou sair de Cuba, com o objetivo de buscar uma outra realidade que muitas vezes lhes é negada.

Para começar a história: Ruy (Alberto Joel García Osório) e Tito (Roberto Sanmartín) são dois amigos que lutam para fazer música na cidade de Havana, Cuba, juntamente com outros amigos. Eles acabam de gravar o seu primeiro CD por conta própria e preparam um concerto para celebrar o seu trabalho em um antigo teatro abandonado e ameaçado de fechar. Enquanto correm atrás de divulgação do seu trabalho, conhecem dois produtores espanhóis, Marta (Marta Calvó) e Lorenzo (Roger Pera), a quem acabam apresentando a cidade e outros artistas. Um vôo por uma cena musical que vai além das salsas, caribenhas, mas que as unem ao rock, blues, a cena alternativa da ilha. A esperança de tornar real o desejo é oferecido pelos produtores, e que vai acabar por dividir os dois amigos na escolha a fazer.

O filme aborda as dificuldades das pessoas que vivem no país, como é o caso de Caridad, mulher de Ruy. Que tem que negociar a compra da carne do almoço, partilhar o mesmo telefone e ainda se virar com a venda de bijuterias, a qual, mal dá para sustentar a casa. Ela recebe uma pequena ajuda do envio de dinheiro de sua mãe que mora nos Estados Unidos. A saída para dar uma vida melhor aos filhos faz Caridad tentar a sorte junto a sua mãe. 

Enfim, ele traz as relações  de pessoas que buscam melhores condições de existência. Se por um lado há pessoas como Ruy, Tito e todos os demais músicos, que vivem para cantar as suas músicas e buscam serem reconhecidos, há outros que lutam simplesmente por uma vida melhor.  Esse caminho oferta duas escolhas: ser feito por contatos ou ilegalmente através de barcos.

Qual o preço a se pagar por sonho?

A possibilidade de um contrato internacional colocará em conflito uma questão comum a muitos: atender às cláusulas firmadas com uma companhia americana, dentre elas  promover um discurso contra seu país vendendo, assim, a independência da sua arte.
Esse dilema colocará em cheque o tipo de arte que eles pretendem seguir, a comercial (fornecida pelos produtores) ou a marginal, daqueles que não se submetem ao julgo do mercado e da sua maneira seguem fiel a sua essência. 

Enquanto que para Tito, cujo sonho mor de sua vida é ficar reconhecido, não importando ter que passar por cima de seu cerne, Ruy que também quer expandir sua música, contesta o contrato.  e acaba por recusar a proposta, não transformando sua música num produto de consumo.

Um novo prisma que foge do estereótipo de “Cuba suja” ou de “Cuba limpa”, defendida por diferentes correntes ideológicas. É um filme sobre sonhos, lutas, relacionamentos, dilemas, temperados com diversas claves de sol. Uma história que, guardada algumas expressividades do país, poderia ser contada tendo como pano-de-fundo qualquer parte dos países latinos americanos, daqueles que não são tidos como “desenvolvidos”.

Cuba é vida que pulsa! É a resistência de uma cultura, são as lágrimas por viver fora da mesma, a pátria que se leva dentro mesmo estando longe. Em qualquer parte, Habana Blues é uma declaração singela a uma ilha que muitos costumam caracterizá-la e pintá-la quase sempre com as mesmas cores. Não percebendo seu dueto. Ela é triste e alegre, é o paradoxo de uma vida múltipla, diversa.  Ainda que com muitos desafios e limitações, como em tantos outros países, em tantas outras ruas.

Os vários eus..

Escrito por Fabiana Reinholz

Já fui queimada na fogueira….
Nada mais pode me machucar tanto…
Fui a mais bela das concubinas…das melindrosas a mais fabulosa
A mais terrível e temível guerreira…
A mensageira, nômade errante..
O lado mais doce das faces da lua…
Um anjo, um demônio
A realidade e a mais incrível quimera…
Na dança do ventre, eu fiz flutuar os véus
Num tapete mágico eu fui voar
A fervorosa dançarina espanhola eu já fiz surgir
Todos os destinos em várias mãos eu li…
Como boa cigana as mil caravanas conduzi
Eu sou a clave de sol de todas as canções que a todos faz dançar.
O fogo e a água me possuem…
Deslizo pela terral e pelo ar….
Sou a mentira mais sincera que você pode encontrar
Uma deusa, fada, bruxa, o anjo mais feliz
O principio, o meio sem fim….
Tenho a noite como companhia e o dia como condutor..
Um pouco do riso e tristeza mesclada para não esquecer que tudo é feito de passagem…
A bolha de sabão, as asas da borboleta…
O espelho e os cacos
Sou a constante invenção de mim
Um reservatório de infinitas possibilidades..
Que abita no labirinto sem fim…

Reencontrei minha espada, meu punhal e minha capa
Logo, logo terei de volta meu OM e minha flor de lótus
Agora estou pronta para voltar para casa…

Um dia eu volto…
Ou deixo outra de mim voltar…

clave

 by Fabiana Reinholz

Você foi o sonho mais lindo que tive…
E o mais demorado…
Suas claves de sol, de lá me faziam dançar…
Lembro-me de como não conseguia olhar para você..
Não queria que meus olhos me entregassem
E ficava com o sentimento preso…
Mas sou uma péssima atriz…
Já que a máscara não convencia ninguém…
Só umas bobas palavras suas animavam meu dia, com voce, só com vc ficava como uma criança com um brinquedo novo,
Me tirava o pouco do jeito que tinha…
E diferente dos outros, meu coração ficava leve…
Sem lágrimas…
Até que um dia acordei e me libertei
Você virou apenas uma doce lembrança
Cercada pelas ninfas que sempre te seguiram…
Agora estou bem … novamente pertencente somente a mim…