Pedaços

Desejo de sair pelo mundo contando histórias, descobertas, fundir com outros povos
Falar da vida de pessoas reais, realmente vivas e não da plastificação estampadas nas revistas
Ir por diferentes caminhos, atrás das mãos calejadas, rostos pintados pelo sol
Dos índios, andarilhos latinos, dos sorrisos que superam as lágrimas, da dor
 Seguir no fluido das veias que ainda continuam abertas
Narrando contos/crônicas de muitas estrelas, das heranças deixadas
Sentir o cheiro da terra, o humano ser surgir.

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Meus castelos de areia soprados pelo vento, esquecidos pela moção do tempo.
Não lembro mãos dos dias em que acreditava ainda em conto de fadas
Na verdade finais felizes sempre me pareceram quimeras e de um certo enfado.
Antes que pareça com descrença ou mágoa, por algo vivido e despedaçado
Tento me explicar, mesmo sabendo que ninguém tem nada a ver com isso.
Não há dor, desamor ou qualquer sentimento de tristeza
O que acontece é que às vezes a melancolia surgida de algum recôndito vem brincar com os dias,
Do “canto do sorriso” surge a lágrima e do nada o coração entristece e esfria
Fazendo ir embora o Oasis, deixando tudo deserto,

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Quando o prazer toma conta, e o amor sai por entre a fenda aberta
O vazio vem e impera, e nasce a procura do preencher o espaço do nada com quimeras
Criando frágeis castelos de sonhos
 Que a realidade não pode suportar
Mais uma dose de ilusão, só mais um fragmento de utopia.

Tempo presente

O passado guardado numa caixa de sapatos. Minha caixa de pandora que raramente quero abrir. Não que o que vivi tenha sido tão ruim que não possa vir mais vezes à tona. Ao contrário, há no meio de tudo doces lembranças, feridas e uma leve desordem que me fizeram aprender, crescer, outras que foram e são como um bálsamo, que ainda acalenta os dias em que parece que tudo vai desmoronar.

Nessa caixa, as marcas habitam. Posta em um lugar bem alto que dificilmente alcanço e onde há tempos deixei. É preciso deixá-las ser o que são como fotos amarelas em um álbum puído. Deixar posto em chamas as lembranças mais doídas que nada tem a acrescentar a caixa.

Mas em circunstâncias especiais, em momentos raros em que ela desce e a abro, limpo, deixo-a respirar e ela volta ao seu tamanho normal, a dimensão exata para não se fazer esquecer do que vivi, servindo como alerta, como apreço, como um consolo. Mas somente isso, e a caixa volta ao seu lugar, afastado do meu presente.

Amores furtivos olvidados em sombras, frases, cartas, amigos que se perderam na penumbra e na pressa minha, dos incontáveis sonhos irrealizados. Músicas, poemas, velhas fotos, cartões, postais; sentimentos, livros empoeirados na estante, enfim todas essas partículas de existência que concretizam esse passado vivo. No silêncio, guardadas e transformadas pelo tempo.

Um lugar abrigado, onde faço visitas esporádicas quando fico sozinha e distante do mundo. Ambiente de acumulo de sentimentos, experiências, momentos. E na perspectiva desse passado vivo, desses fragmentos cristalizados que não foram perdidos ou descartados (já que é impossível guardamos tudo, o que é relativamente bom em certos casos) é que não podemos deixá-lo se perder, de vez e ser revivido (esporadicamente) para que não me torne um amontoamento de angustias e mágoas.

Como tudo o que já foi vivido suscetível à deterioração do tempo, mantenho essa caixa comigo, distante afinal, são pedaços que já foram meus e volto para o hoje, tempo que preciso sentir, trilhar, viver, pois depois de passado ele pertencerá a caixa.

                                                    

tempo desconexo

tempo desconexo

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Enquanto o ontem fica suspenso numa caixa, o amanhã, o futuro dos dias, segue como a musica dos Darma Lóvers, “uma meta flutuante”, uma bolha de sabão a brincar pelo ar, a ilusão onde fundamentamos sonhos.

Dos projetos que guardamos na gaveta para quando o futuro estiver mais próximo do hoje. Nada contra isso, às vezes ainda traço planos, contudo  eles ficaram mais próximo do agora . Do tempo que sei que posso realizá-los para que os mesmos não se tornem outra bolha de sabão de encontro ao teto, que por causa de sua fragilidade estoura.

Alimentemos os sonhos, as utopias, o chegar a algum lugar um dia, seja esse o lugar que for, ou o desejo/sonho que nasça dele. Contudo sem esquecer, da fragilidade ilusória que é o amanhã.

Abracemos, pois, o agora, para que depois esse seja uma doce lembrança colocada na caixa.

 

Fabiana Reinholz

Picadeiro

Poema inspirado no livro o Lobo da Estepe, de Hermamm Hesse.

Somos pequenas peças postas num imenso tabuleiro,
Infinitas partes a jogar
Sob holofotes de um teatro mágico, ao qual chamamos vida.
A nos iludir com gigantes castelos de cartas, frágeis a uma pétala, a um leve sopro
Seguimos num interminável esconde-esconde
Girando numa espetacular roda gigante movida a sonhos, a desejos e ambições funestas.
E rodamos incansáveis num carrossel multicolorido.
Brincamos, rimos, choramos. Nos perdemos em guerras e batalhas pueris.
Vivemos a utopia das 1001 noites de amores adormecidos.
Quando aceitamos brincar
Perdendo-se entre livros
Felizes, tristes, amargurados.
Dançamos sob o véu translúcido das quimeras
Permeados por confetes e serpentinas
Escondendo lágrimas embaixo de infinitas máscaras
Até o dia do brinde final
Quando repousaremos no leito da eternidade
Enquanto isso, vivamos nesse teatro mágico
“Que sejamos raros, loucos, onde a entrada custará nossa razão”.

Fabiana Reinholz

A melodia pulsante do temporal subtropical

“De tudo um pouco, com quase tudo em demasia” a fonte pulsante que permeia a hibridez fulgurante da subtropicais ao quase extremo sul abaixo da linha do equador para compor a sua trilha.
O casamento entre poesia, psicodelia e música não é nenhuma novidade, mutantes, legião, cazuza, secos e molhados são alguns exponenciais desse gênero. Seguindo essa corrente e “arrastando” outras mais, a banda aproxima diferentes vertentes da música contemporânea. A fusão de estilos e ritmos da música brasileira sob uma base forte do rock mesclado com a competência e a naturalidade forma a base subtropical.

Na estrada há sete anos, a banda porto-porto alegrense nasceu da vontade de pôr em prática idéias despretensiosas de fazer músicas que conciliassem originalidade e qualidade, dentro da cena de rock do Rio Grande do Sul. “Não poderia ser uma mistura forçada de rock com samba ou qualquer coisa, tinha que ser uma sonoridade nova”, diz Leon Braw, baixista da banda. Em resumo, queríamos ter uma banda que tivesse composições nas quais houvesse espaço pra mais de meio século do rock and roll, e acima de tudo, músicas que nunca perdesse a referência da Terra, Gaúcha e Brasileira, e que nunca as negasse ou reprimisse como autêntica influência cultural”, explica.

Nome de significados diversos

Mudando um pouco a estética do texto, deixo a palavra livremente exposta de braw:
“o nome da banda originou-se da situação climática do estado de
nascimento da banda, que não é tropical, e está localizado abaixo do
trópico de capricórnio, também é numa alusão a estética do frio,
na qual os gaúchos sempre vivenciaram um distanciamento em relação
ao restante do país, e é uma alusão ao movimento tropicalista, que,
como muitos não sabem, foi um movimento artístico estético que apareceu
no país rompendo paradigmas e pré-conceitos da arte/música, que na época,
era muito purista, só celebrando artistas ou da bossa nova ou do rock
bretão, e ambos na sua forma mais purista.”

E assim ela vem, melodicamente, poeticamente, vem e flutua e vai além.

Subtropicais por eles mesmos:
“O temporal no céu da boca.
A Velha Nova Invenção.
De tudo um pouco com o quase tudo em demasia.
É aquilo de delirante do rock com frio, em um feliz
encontro de esquina com sambas tristes e desesperados
e grooves de um gole só, onde é bebido por completo
o som seco e direto!
É história de letra e compasso, descomplicados
na contradição pulsante de uma sinfonia indignada e irônica,
de uma revolta ingênua com dentes afiados!
Da tristeza que não vence, se renova e sai do corpo.
Tem sul, sol, temporal, pulsação e melancolia.
Música subtropical para todos os climas.”

-Alexandre Marques – guitarra/voz
historiador, fazendo mestrado, professor
toca no projeto “noite secos & molhados”
-Leon Brawl – baixo
estudante de arquitetura e urbanismo.
arquitetura, design, direção de arte em cinema e filmes publicitários.
toca também nas bandas Proveitosa Prática, Fruet & Os Cozinheiros
e Levitan & os Tripulantes.
-Roberto Landell – guitarra/voz

By fabiana Reinholz

Sob o céu de Havana

habana

A lua prateada entra pela fresta de um teatro e ilumina os sonhos que nele foram depositados. Vem e faz companhia a uma guitarra solitária, em todas partes para onde quer que se vá, ela varre o pó da solidão.

Uma outra “face” de Cuba que a grande mídia não mostra é retratada em Habana Blues. Uma História permeada de sentimentos e conflitos, conduzidos pela música, com um olhar sem partidarismos que mostra a veia pulsante de um país, que assim como outros tantos da América Latina, vai fluindo apesar dos pesares. Com seus prédios, seus carros antigos, sua encosta. Mostra a escolha, muitas vezes difícil que temos de fazer na busca por um sonho, o preço a pagar pelo mesmo, as dificuldades de viver numa pátria querida e ao mesmo tempo esquecida da forças para essa gente lutar pela própria sobrevivência ou sair de Cuba, com o objetivo de buscar uma outra realidade que muitas vezes lhes é negada.

Para começar a história: Ruy (Alberto Joel García Osório) e Tito (Roberto Sanmartín) são dois amigos que lutam para fazer música na cidade de Havana, Cuba, juntamente com outros amigos. Eles acabam de gravar o seu primeiro CD por conta própria e preparam um concerto para celebrar o seu trabalho em um antigo teatro abandonado e ameaçado de fechar. Enquanto correm atrás de divulgação do seu trabalho, conhecem dois produtores espanhóis, Marta (Marta Calvó) e Lorenzo (Roger Pera), a quem acabam apresentando a cidade e outros artistas. Um vôo por uma cena musical que vai além das salsas, caribenhas, mas que as unem ao rock, blues, a cena alternativa da ilha. A esperança de tornar real o desejo é oferecido pelos produtores, e que vai acabar por dividir os dois amigos na escolha a fazer.

O filme aborda as dificuldades das pessoas que vivem no país, como é o caso de Caridad, mulher de Ruy. Que tem que negociar a compra da carne do almoço, partilhar o mesmo telefone e ainda se virar com a venda de bijuterias, a qual, mal dá para sustentar a casa. Ela recebe uma pequena ajuda do envio de dinheiro de sua mãe que mora nos Estados Unidos. A saída para dar uma vida melhor aos filhos faz Caridad tentar a sorte junto a sua mãe. 

Enfim, ele traz as relações  de pessoas que buscam melhores condições de existência. Se por um lado há pessoas como Ruy, Tito e todos os demais músicos, que vivem para cantar as suas músicas e buscam serem reconhecidos, há outros que lutam simplesmente por uma vida melhor.  Esse caminho oferta duas escolhas: ser feito por contatos ou ilegalmente através de barcos.

Qual o preço a se pagar por sonho?

A possibilidade de um contrato internacional colocará em conflito uma questão comum a muitos: atender às cláusulas firmadas com uma companhia americana, dentre elas  promover um discurso contra seu país vendendo, assim, a independência da sua arte.
Esse dilema colocará em cheque o tipo de arte que eles pretendem seguir, a comercial (fornecida pelos produtores) ou a marginal, daqueles que não se submetem ao julgo do mercado e da sua maneira seguem fiel a sua essência. 

Enquanto que para Tito, cujo sonho mor de sua vida é ficar reconhecido, não importando ter que passar por cima de seu cerne, Ruy que também quer expandir sua música, contesta o contrato.  e acaba por recusar a proposta, não transformando sua música num produto de consumo.

Um novo prisma que foge do estereótipo de “Cuba suja” ou de “Cuba limpa”, defendida por diferentes correntes ideológicas. É um filme sobre sonhos, lutas, relacionamentos, dilemas, temperados com diversas claves de sol. Uma história que, guardada algumas expressividades do país, poderia ser contada tendo como pano-de-fundo qualquer parte dos países latinos americanos, daqueles que não são tidos como “desenvolvidos”.

Cuba é vida que pulsa! É a resistência de uma cultura, são as lágrimas por viver fora da mesma, a pátria que se leva dentro mesmo estando longe. Em qualquer parte, Habana Blues é uma declaração singela a uma ilha que muitos costumam caracterizá-la e pintá-la quase sempre com as mesmas cores. Não percebendo seu dueto. Ela é triste e alegre, é o paradoxo de uma vida múltipla, diversa.  Ainda que com muitos desafios e limitações, como em tantos outros países, em tantas outras ruas.

Apego, uma primeira abordagem

retirado do site: http://pt.chagdud.org

Chagdud Khadro
O apego permeia de forma tão completa a mente dos seres humanos e determina tão consistentemente nossas ações, que nosso estado de existência é conhecido como “reino do desejo”. Fabricamos este reino ao nos fixarmos tanto nas aparências comuns do ambiente externo, quanto nas aparências mais sutis do ambiente interno da mente, que são os conceitos e as emoções. A partir desta fixação criamos um vasto espectro de experiências. Em uma extremidade, surge uma experiência infernal a partir da fixação nos objetos da raiva e do ódio – o apego convertido em total aversão. Na outra extremidade, a fixação em certos estados de meditação – um tipo de apego extremamente sutil, no entanto poderoso – resulta numa existência plena de êxtase, ainda que temporária e condicionada pelo desejo.

O apego emerge da falta de compreensão da natureza da vacuidade e da impermanência dos fenômenos. Esse equívoco fundamental é enormemente potencializado por nossos desejos mundanos que, simultaneamente, nos seduzem e frustram. Não compreendendo que nada é permanente, ou mesmo confiável, na experiência comum, temos desejos e anseios pelas coisas do mundo. Os desejos surgem incessantemente e ficamos frustrados por não obter o que queremos, por não possuirmos o suficiente, por termos algo que não queremos mais, ou por conseguir as coisas e perdê-las. Para as pessoas mais introspectivas, o próprio processo de fixação, a formação dos apegos, assim como o esforço para satisfazer os desejos, se tornam profundamente desgastantes.

Também é desgastante reconhecer que o poder do nosso apego, o hábito forte de sermos apegados, nos impulsionou ao longo de incontáveis vidas passadas e nos impulsionará ao longo de incontáveis vidas futuras, a não ser que possamos encontrar a liberação. E não estamos sós nessa dificuldade, que é compartilhada por todos os demais seres sencientes, incluindo aqueles que nos são mais queridos. Todos nós, da mesma maneira, somos iludidos pela miragem da satisfação e estamos enredados em nossa própria teia de apegos. Essa percepção, em si, se torna uma fonte de compaixão.

Na maioria dos casos, existe um certo padrão no processo que usamos para desenredar essa teia. A tristeza e a dor direcionam nossa mente para questões mais amplas sobre a vida, que só podem ser resolvidas através de uma busca espiritual. A força da impermanência nos leva continuamente a novas e contínuas alianças com amigos, casamentos, romances e laços familiares; a reviravoltas nas carreiras e contas bancárias; a mudanças nos recursos, residências e projetos; a melhoras e declínios na saúde e no bem-estar. Sabemos que, num determinado momento, vamos nos deparar com o esgotamento da juventude e a deterioração de nosso próprio corpo, com a velhice e a morte.

Se, nesse momento, tivermos a fortuna de encontrar um autêntico mestre espiritual, e se este mestre possuir a sabedoria nascida do escutar, contemplar e meditar sobre os ensinamentos da linhagem do Buda Sakiamuni, ele ou ela vai nos aconselhar a não nos afastarmos da verdade da impermanência, e sim a olhá-la profunda e diretamente. Ao examinar o nosso interior, descobrimos que as ocorrências mentais também são impermanentes, que os pensamentos e emoções vêm e vão como o vento, que as próprias características das nossas identidades pessoais são variáveis. Se olharmos para dentro de nós com as lentes da meditação, ficaremos abismados com a proliferação dos fenômenos mentais, com seu movimento agitado, seus incontáveis pontos de fixação seguidos de exigências infindáveis, digressões, imaginações e humores. Achamos difícil sentar em silêncio e olhar para eles! Para alguém que leva a sério o desenvolvimento espiritual, a primeira questão é como domar esses aspectos desregrados da própria mente.

A consciência da impermanência é a chave para o trabalho com o apego, um processo que abarca muitos níveis espirituais, envolvendo desde o principiante que busca o domínio do apego comum ao interesse pelo próprio eu, até o grandioso bodisatva, que liquida os últimos vestígios de apego a certos hábitos sutis da mente. Em cada estágio, o crescimento da compaixão é a medida que determina o quanto as amarras do apego estão se afrouxando. A liberação do egocentrismo permite a expressão mais espontânea de nossas qualidades naturais de compaixão. Especialmente, desenvolvemos a aspiração sincera de que todos os seres, nossos companheiros no reino do desejo, encontrem a liberação do apego ao mundo externo e interno como sendo reais, libertando-se da exaustiva busca pela realização de seus desejos, que leva apenas, e cada vez mais, em direção à ilusão e ao sofrimento. Essa também é a aspiração que temos em relação a nós mesmos.

Os vários eus..

Escrito por Fabiana Reinholz

Já fui queimada na fogueira….
Nada mais pode me machucar tanto…
Fui a mais bela das concubinas…das melindrosas a mais fabulosa
A mais terrível e temível guerreira…
A mensageira, nômade errante..
O lado mais doce das faces da lua…
Um anjo, um demônio
A realidade e a mais incrível quimera…
Na dança do ventre, eu fiz flutuar os véus
Num tapete mágico eu fui voar
A fervorosa dançarina espanhola eu já fiz surgir
Todos os destinos em várias mãos eu li…
Como boa cigana as mil caravanas conduzi
Eu sou a clave de sol de todas as canções que a todos faz dançar.
O fogo e a água me possuem…
Deslizo pela terral e pelo ar….
Sou a mentira mais sincera que você pode encontrar
Uma deusa, fada, bruxa, o anjo mais feliz
O principio, o meio sem fim….
Tenho a noite como companhia e o dia como condutor..
Um pouco do riso e tristeza mesclada para não esquecer que tudo é feito de passagem…
A bolha de sabão, as asas da borboleta…
O espelho e os cacos
Sou a constante invenção de mim
Um reservatório de infinitas possibilidades..
Que abita no labirinto sem fim…

Reencontrei minha espada, meu punhal e minha capa
Logo, logo terei de volta meu OM e minha flor de lótus
Agora estou pronta para voltar para casa…

Um dia eu volto…
Ou deixo outra de mim voltar…

Partido

Onde foi parar o teu sorriso
Que durante tanto tempo me animou
E aquele terno brilho em seu olhar
Que a gora, turvo se tornou
Seu cálido beijo e seu meigo jeito
perdeu-se na penumbra do tempo
Nosso amor antes tão vivo… agora sós lembranças ficaram
E da vida que antes me era mais cara
Hoje só a tristeza restou…
E meu coração dilacerado
Aguarda no compasso a derradeira hora de dizer adeus
E me esquecer de vez toda essa dor
E olvidar para sempre da mina mente a frieza que agora somos nós, que inertes contemplamos as ruínas do que um dia foi chamado amor…

“a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão”
(Paulo Leminski)

Meu ser

 By Fabiana Reinholz

Gosto de amores libertos, sem posse e definições, incondicional
Gosto de dançar ao redor da fogueira, dentro e fora do mar
Do cheiro da chuva, de terra e grama molhada
De flutuar, voar sem destino estabelecido
De carinho sem grude, de palavras doces
Das mentiras sinceras…
Gosto da excessiva liberdade
Das longas caminhadas, dos mergulhos mais profundos
Das claves de sol, de fá, de La, que fazem musicas a dias estranhos
De abraços, afagos, beijos e sorrisos demorados
De lágrimas q lavam almas
Gosto do caos que se faz preciso quando o enfado satura os dias
De um pouco de libertinagem, mesmo que essa seja em pensamentos
De novas e velhas fotos
Das boas lembranças de amores e amigos sinceros
Da desordem de mim, do meu quarto onde só eu me acho …
De enigmas e palavras cruzadas
E da necessidade das entrelinhas
De jogos de decifrar, de esconde-esconde, de pequenos e grandes prazeres
Dos castelos de carta que se desmancham com o leve toque da brisa
De tudo que for demasiado forte e sincero
Gosto de bebidas fortes, de venenos suaves
Do café para acordar da letargia
De chocolate quente/gelado para acalmar certas ansiedades
De bebidas fermentadas e outras destiladas para fazer esquecer
De uma boa “cozinha”,
De fartas sobremesas, de chocolates levemente apimentados…
Gosto da noite, da rua, da alegre e inebriante boemia
Dos dias de sol, de olhar borboletas, flores e beija-flores
De alimentar os pássaros
De dias nublados,
Do sol após a chuva ácida
Dias de frio enrolada no cobertor
De calor para entrar e olhar o mar no mar
de ver as ondas arrebentando das pedras
Gosto de ficar a toa
De horas incontáveis de leitura, de poesias
De por em pratica e em ordem pensamentos disformes através de palavras
De me perder e me achar…
Gosto da loucura e da razão que habitam em mim
Dos meus deuses e demônios que passam horas a conversar
Que me fazem rir e chorar
Dos sonhos que embalam e se contrapõe a realidade
E que servem como estimulo para sempre recomeçar
Do silencio das palavras
De dias agitados e calmos
De breves pausas
De soltar as amarras
De não ter que ter respostas a tudo,
Gosto….

De ser um mistério para mim mesmo

“De vez em quando você tem que fazer uma pausa e visitar a si mesmo.” Audrey Giorgi