Tempo perdido

Admirável mundo novo esse que se descortina, onde as brincadeiras de/na rua foram substituídas por telas, teclados e outros aparatinhos tecnológicos. Que “amores” têm a duração de um sonho de uma noite de verão. Onde tentam ditar prazeres ao consumo de nossos olhos, e das tentativas de alienação. A troca de carinho virtual.
Onde as crianças estão amadurecendo/envelhecendo muito mais rápido.
Deixando para trás, seus carrinhos, bonecas, castelos de cartas. As alamedas como extensão de suas casas, um porto a mais para seu, e só seu fantástico mundo.
Tudo isso, e outras coisas mais parecem estar passando tão rápido.

Meninos e Meninas, que até ontem brincavam com seus pequenos conteúdos de universo, seja estes bonecas, carrinhos, bolas… Ou até mesmo objetos que se tornam brinquedos. Abandonam, e “amadurecem” precocemente; diante muitas vezes do objeto nada inanimado, a televisão. A baba eletrônica, que guia esses pequenos seres, que os alimentam a seu bel prazer, com seu conteúdo que beira a alienação total. Já que não cumprem o que diz a Constituição de 88, de que deveria vincular cultura, programas educativos, etc.

Amores/ paixões fugazes que, por sorte, podem durar quatro estações.
Não tenho nada contra os encontros fugazes, desde que se esteja preparado, para a instabilidade de que são formadas as relações entre sexos opostos ou iguais. E a consciência plena, um breve acordo calado mutuo, de aquilo é para ser efêmero.
A espera até que o coração desperte.

Das velhas e recicladas promessas políticas. Dos planos cruzados. Da sopa de letrinhas dos partidos. Das ideologias que se amarelam. Dos cartazes e muros pinchados. Os debates, o circo armado. Da festa das eleições, depois do longo período, onde o que foi dito, não vai sendo cumprido. A cansativa burrocracia, os tapinhas nas costas, os sorrisos ensaiados, as farpas, o esquecimento do bem comum. Do povo que ora perde, ora reconquista suas crenças. A continuação do ciclo.

O comércio de quase tudo, a plastificação de desejos supérfluos. O consumo, a vida se consumindo em insípidas ilusões.  A mídia, a grande mídia fabricando, reinventando a ‘ realidade’ ignorando outras vozes, se impondo em nome de algo chamado audiência. Até usurpando para si, atos que já foram feitos por outros (exemplo a Record anunciando o primeiro correspondente na África, quando a TV Brasil já o fez).
Mas tudo bem, talvez essa ‘guerra’ entre emissoras justifique esses pequenos enganos.
E nessa luta por ‘mentes e corações’ televisa, vai se tornando um vale-tudo, onde vai se criando novas ‘ culturas’ que não acrescentam a nada, vão dando 15 minutos de fama a quem quase sempre não tem nada a dizer.

As mulheres vão virando frutas, muitos vão se tornando zumbis vegetando diante de um quadrado/retângulo audiovisual.

A janela se converteu para dentro desse universo. Onde descolamos nossa retina gradativamente.

O tempo vai passando cada vez mais rápido, ou talvez seja nossa percepção que vai ficando lenta diante desse admirável mundo não tão novo. Onde a imagem de um pôr-do-sol se torna um clichê – e pode até ser- mas não deixa ser belo, aonde cenas bucólicas vão perdendo a graça. 

É a pressa aos poucos tirando nossos instantes, nos roubando do convívio com nós mesmos e do outros iguais, ou diferentes de nós. Dos passeios, dos sorrisos, dos afagos e abraços, do Tetê a Tetê.

Desejava um mundo mais leve, mais despreocupado. Sem essa cegueira constante. O consentimento da dança com a vida, em dias de chuva, de sol, sob o brilho da lua, com ou sem estrelas. Dos velhos brinquedos, de verdadeiros e duráveis amores (mesmo que separados), da vida ativa e não na passividade de ser um mero telespectador, a queda do consumo só por consumir. Outras vozes, outras caras, sendo apresentadas.

z1habhdj

É preciso se livrar do vício da TV, do comodismo, de aceitar tudo que nos empurram. É preciso refletir, pensar, ir atrás.

Enquanto isso não acontece, peço licença para me desconectar para cuidar do jardim, brincar com a Tita (meu cãozinho) e ver o pôr-do-sol por sobre o telhado a vizinha.

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Um pensamento sobre “Tempo perdido

  1. Acho que o grande mal da humanidade e que nos tornamos uma sociedade viciada e acomodada. E com o tempo ficamos apáticos, sem vida!

    Afortunados os que tem tempo e gostam, de verdade, de cuidar de seus jardins!

    Sim, precisamos urgentemente, deixar velhos vícios e cuidar do nosso jardim!
    Bjus

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