A esperança que sorri

By Fabiana Reinholz
-Vês?
-o que?
– olha, olha bem, vês?
-Não consigo ver nada, do que estas falando?
– Ora, tenta, é pequena, mas está tão perto.
– Mas tentar ver o que? Não há nada…
-Ficastes cego?
– Não, deve ser tu  que tenhas ficado louco, vendo coisa no vazio.
-Mas não há vazio, muito menos loucura; mas sua cegueira.
-Como assim minha cegueira, se não é loucura, deve ser sua mente lhe pregando uma peça.
– Não, já disse que não é nada disso, tome pegue essa luneta. Agora vês?
-Não consigo ver nada.
-Tente os óculos. E agora?
-Ainda nada.
-Desisto.
-Espere,
-o que?
-(comprimindo os olhos, limpando a retina) Acho que vejo um tanto quanto embaçado.
-Continue, um pouco mais de esforço
-Agora sim, vejo. Tão pequena, tão frágil, tão perto/distante a sorrir.

Ao coração que despedaça

 marip

Hoje ela não quis tirar os sapatos ao se deitar.
Os olhos vermelhos, a garganta seca
A roupa molhada com as lagrimas que corriam mais por sua face borrada pela maquiagem.
A ilusão do amor, ao seu redor tudo despedaça.

E dos seus sonhos tão lindos, nada mais de amor ficou
A garganta seca, o coração comprimido,
Ao ver passar a ilusão do amor amigo
Ela não traz mais o sorriso, nem o desejo
Das chuvas de pingos de amor
Agora arranham suas faces

Mas ela sabe que tudo passará
Contudo agora, ela se joga na cama
com seus sapatos de passeio
e tenta consolar o seu coração que despedaça.