Fragmentos poéticos

Almofadas espalhadas pelo chão da sala
Taças abandonadas e o vinho esquecido no tapete
Essência, prelúdio
Um novo-velho conto de amor.
A celebração de corpos inebriados pela ilusão de tornar-se um o que são dois.
Sussurros e gemidos ressoantes pela casa

——————————————————————————-

Hoje ela não quis tirar os sapatos ao se deitar.
Os olhos vermelhos, a garganta seca
A roupa molhada com as lagrimas que corriam mais por sua face borrada pela maquiagem.
A ilusão do amor, ao seu redor tudo despedaça

Anúncios

A incerta preguiça

Um certo fastio vem tomando conta do meu ser nesses últimos dias. E mesmo o caos que bate continuamente a porta é capaz de afastar a preguiça. Essa, que entre os sete pecados capitais é o que mais me acomete – para falar a verdade os outros seis são em minha vida quase inexistentes, com exceção de a gula, às vezes pular a janela e vir brincar dentro de mim.

A correria diária dos dias úteis da semana, e o amortecimento dos finais da mesma. E em muitos momentos nem o café é capaz de aplacar a sede do sono, dos olhos pendentes que quase não voltam a se abrir depois de piscar. Terrível sonolência, os 10 minutos a mais do despertador celular.

Meus livros empoeirados na estante, vão cedendo seu lugar as leituras obrigatórias da faculdade, e essas tentando vencer a languidez minha. A saída muitas vezes, é a leitura no metro e no ônibus central, isso quando os olhos involuntariamente não se fecham. 

Contudo, às vezes, no meio dessa inércia, uma fagulha se acende, e saio do torpor e a hiperatividade reina. Do sofá para o passeio com a Tita no vespertino domingo, ou as leituras das revistas compradas durante semanas passadas e que ainda não consegui terminar de ler. Antes que me perguntem ou pensem, apesar de parecer, essa preguiça não vem do desanimo, esse quando vem, leva a vontade do sono e deixa um que de tristeza que empurra tudo ladeira abaixo.

                                                           

Ao que já se foi

Lentamente queimo nossas lembranças…
Da saudade que não sinto mais de ter você aqui comigo
Apaziguado coração livre de mágoas e utopias de um falido amor
Lento e amargo, nada mais de nós ficou
Nem a fina promessa de amizade
Nossos olhares nunca mais se encontraram e foi melhor assim
Das lágrimas quase derramadas, às risadas de um póstumo relacionamento que não vingou

Tranqüilo, sereno meus sonhos vão em direção a um novo cais
Sem o ruído e o redemoinho de choros e aflições, das esperas intermináveis
E dos incontáveis desencontros
Não que tenhamos nos tornado estranhos,
Na verdade nunca nos descobrimos
Não que eu não sinta mais nada
Para ser sincera, talvez tivesse sido o prelúdio de uma ilusão incansável te ter algo que nem sabia direito o que era,
Mas tudo de desfez e fizeram-se cinzas
Agora fica a calmaria e o sossego
Sem velhas fotos  ocupando a memória!