Ferlinghetti

O mundo é um lugar maravilhoso onde nascer,
Se a gente não ligar para o fato de a felicidade nem sempre ser muito engraçada,
Se a gente não ligar para umas horas de inferno de vez em quando,
Justamente quando tudo está ótimo porque nem no céu eles ficam cantando o tempo todo,
O mundo é um lugar maravilhoso onde nascer se a gente não ligar que o tempo todo haja alguma pessoa morrendo ou talvez só passando algum tempo á mingua,
O que afinal não é tão ruim se não for você,
Oh o mundo é um lugar maravilhoso onde nascer se a gente não perder a cabeça por haver cabeças mortas nos lugares mais altos ou então uma ou duas bombas de vez em quando nas vossas faces reviradas ou outras impropriedades tais,
Das quais nossa sociedade de Marca e Nome é vitima com seus homens de disntinçao e seus homens de extinção,
Seus padres e outros patrulheiros e suas varias segregações,
E investigações congressionais e outras constipações de que nossa carne louca herda alguma coisa,
Sim é o melhor lugar de todos para um monte de coisas como fazer a cena engraçada e fazer a cena de amor e fazer a cena triste,
E cantar canções baixinho e ter inspirações e andar por aí olhando tudo,
E cheirando flores e arruinando estátuas e até pensando e até pensando e beijando pessoas,
E fazendo bebês e usando calças e abanando chapéus e dançando e indo nadar em rios,
Nos piqueniques em pleno verão e enfim apenas “vivendo”,
Pois é,
Mas no meio de tudo chega o sorridente morticeiro. (tradução Leonardo Fróes)

Aquela “fosforescência sensual na qual se deliciava minha juventude” jaz agora quase atrás de mim,
Como uma região de sonhos onde um anjo de hálito ardente dança como uma diva por veias estranhas pelas quais o desejo perscruta e lamenta,
E dança e dança ainda e ainda avança para mim com seios ofegantes e lábios secretos e (ah) olhos radiantes. (tradução Eduardo Bueno)

Lawrence Ferlinghetti

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Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Eu tenho que ir…
Tenho que alcançar minha carona.
– Então vá.
– Eu fui.
-Achei que talvez fosse maluca….mas você era interessante…
-Queria que tivesse ficado.
-Eu tambem queria ter ficado.
Agora eu queria ter ficado, queria ter feito um monte de coisas.
Eu queria ter…eu queria ter ficado… queria sim.
-Eu desci e você tinha ido.
Eu sai… sai pela porta
-Porquê?
-Não sei. Me senti um menino apavorado, era mais forte que eu…não sei.
-Estava com medo?
– Estava….pensei que soubesse que eu era assim.
-Corri de volta pra fogueira tentando superar minha humilhação, eu acho.
-Foi alguma coisa que eu disse?
-Foi.
-Você disse: “Então vá”, com tanto desdém, sabe?
-Me desculpe…
-Tudo bem.
….
-Joely…
-E se você ficasse dessa vez?
-Eu fui embora pela porta… não sobrou nenhuma lembrança.
-Volte e faça uma despedida, pelo menos. Vamos fingir que tivemos uma.
-Tchau, Joel.
-Eu te amo.
-Encontre-me em Montauk….