Seres parvos, carnavalescos.

O sangue ainda corre pelas ruas assoladas pela guerra; gritos ecoam nas cidades desertas. A paz tão aclamada é esquecida O amor transfigura-se em máscaras de arrogância, que aniquilam tudo que não compõem o particular mundo de cada ser. Mundo esse, que aos poucos vai se perdendo – se esquecendo- nos conturbados dias que nos pegaram, e nos aprisionaram em suas grades de lodo e podridão.

A solidariedade bate, deixamos que ela fique entreaberta por alguns instantes, para deixar passar o que resta de puro dentro de nós.

Nos resfestalamos nos carnavais e barbáries diárias e, nos embriagamos em funestos desejos; aspiramos ao mais alto cume, esquecendo da bruta queda que esta subida pode causar. Dançamos em volta da fogueira das vaidades… e nos apropriamos de coisas a mais que nossas mãos suportam segurar. E ébrios, cada vez mais, vamos nos perdendo nesse lamaçal de avareza, gula, inveja, preguiça, ira luxuria e soberba.

Os espelhos refletem nossa estúpida mentalidade moribunda e fedida, que jaz na quimera de um bibelô perfeito. Na ampulheta imóvel posta sobre a mesa, onde jazem restos de comida acumulam-se dias de um sonho dourado, que nunca nos alcança. E o vilipendio sopra uma soturna canção, que diz: esqueça sonhos… e continue a brindar o sôfrego amor que nunca mais surgiu. E passamos o dia a esconjurar a vida; sentados em nossas almofadas fofas de cetim, enquanto, mendigos batem a nossa janela salivando. Viramos o rosto esperando que eles sumam; e pensamos no próximo fim de semana.

E continuamos assim, nessa subvida, á espera de um milagre, de uma resposta vinda do céu; por que enfim estamos acostumados e acomodados a esperar uma solução para todos os problemas e definhamos em frente à tv… diante de programas burlescos e que não acrescentam em nada, a não ser para dar, talvez, um pouco de gás a nossa já sabida superficialidade diante de peripécias alheias. Cansamos rápido demais, e ficamos com preguiça de pensar… não temos mais idéias novas, e nem se quer reciclamos nossos pensamentos. Aos poucos nobres sentimentos, que insistem vão se afrouxando dentro de nós escorrendo sarjeta a baixo, e nossos corações de vidro estão prestes a se quebrar.

By Fabiana Reinholz

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