Visita

Publicado em alternância às 9 Junho, 2009 por vicissitudedeser

Um tempo distante, com minutos, horas contadas/voltadas ao Trabalho de Conclusão da facul.

um ou outro café, doses homeopáticas de vinho. Raros goles de cerveja. Parte de meus dias consumidos por folhas, livros, sobre os quais me debruço, e os quais se espalham do quarto, tomando a casa inteira.

Tentando também superar um certo “porblema” o ler no monitor.

Não gosto muito. Essa coisa de ficar horas em frente ao pc só mesmo por causa do trabalho. Sei que deveria estar acostumada, mas preciso do tato, do contato com o papel; e se estou aqui agora é porque fiquei distante o suficiente para sentir uma ponta de saudade.

dessa forma de comunicaçao que faz parte de meus dias, mas nao inteiramente de mim, pois ainda prefiro palavras postas em livro, cartas enviadas por papel.

Indolência

Publicado em liberdade às 15 Março, 2009 por vicissitudedeser

“… ao perceber coisas erradas, não passe com indiferença…” Maiakovski

A breve visita ao mundo lá fora, procurando dar asas a inspiração que veio visitar o meu travesseiro num inicio de sexta que de longe vinha com breves sorrisos de sol.

Nessa incursão, o olhar pousa por uma cena que prende sua atenção. Um ato que por bons hábitos, que “nasce” depois do primeiro choro nos é passado: o banho. 

E porque algo tão normal e necessário atraiu os olhos?

Talvez pelo simples fato dele se dar em via pública, no lago dos açores em frente ao prédio onde trabalho. Um morador de rua banhava seu corpo e suas vestes em águas nada cristalinas. Fato que acontece quase todos os dias. Mas mesmo assim os olhos ao olhar para paisagem que se mostrava da sacada sempre pousava nessa cena e se fixam.

E um sentimento, longe da pena ou da repulsão emerge algo não definido, nada que inquieta-se por muito tempo o coração. Mas algo que faz despertar da indolência que espreita e que por muitas frestas tomar conta do corpo, dominar o espírito.

Desperta um leve sentimento de revolta com a situação que se passa com o Estado (RS), que deixa e transforma o Alegre em Porto Caos. Onde uma minoria barulhenta, fala e grita por uma maioria que permanece silenciada, seja por vontade, por medo, por falta de coragem ou por outro motivo qualquer. Enquanto uma certa senhora se diz ameaçada, quando a verdadeira ameaça cada vez mais vai tomando forma, se revelando: Yeda Crusius.

Enquanto milhares lutam por seus direitos, professores, alunos, policiais, servidores públicos, aposentados, bancários, pais, etc. outros tantos no balcão de negócios políticos tecem suas teias conspiratórias beneficiando um governo obscuro, para não dizer sujo. Que nem a água, mesmo suja,  que banha o morador de rua nessa manhã poderia limpar.

Foto Débora Birck

atgaaad09_ho82jk5ftss8tvnjmsiy9vzw9xzrv_14ep3ssntqnq1wzknfqoo8ttz3gylr1kt2conl6sfkartfzllwtfajtu9vc8vnukrvnkolswe47ucshr9jse_q

Somos limitados por aqueles que deveriam garantir não só a liberdade como a igualdade. Somos tolhidos e boicotados na nossa essência se ser, de exercer nossa voz. Talvez fosse mais fácil, pratico cômodo até, ficar vegetando e ruminando, deixando os anzóis atravessados na garganta. Mas os poucos, e espero que cada vez mais, os anzóis incomodem a todos e nos reunimos a essa hoje pequena maioria.

Já que talvez não consigamos nos livrar, a pelo menos diminuamos o gosto do fel, faça, os barulho, para que no futuro próximo não sejamos mais tão negligencialmente  e abruptamente vilipendiados.

E Juntos, seremos paredes pinchadas de romantismo, contestação e revolta. E seremos sempre assim, mesmo que seja nos nossos espaços, com nossas vozes que não se poderá calar.

Reproduz agora um texto de uma grande amiga, que apesar de já ter transcorrido cinco meses é ainda tão verdadeiro, com vocês, Renata Machado.

Foto Renata Machado   renata-machado1
October 16, 2008
Liberdade, abre suas asas sobre nos
Antes de ser de esquerda ou direita, eu sou a favor da liberdade. A liberdade de ser o que quiser e ser respeitado por isso. A liberdade de se identificar com uma causa e ter o direito de lutar por ela. A liberdade de fazer escolhas e de escolher ficar do lado da minoria.

Hoje é Dia Internacional de luta pela Soberania Alimentar, que é o direito que todas as pessoas têm de se alimentar decentemente. Durante todo o dia houve manifestações em Porto Alegre e eu acompanhei tudo, por conta do meu serviço.

Na parte da tarde foi realizada a 13ª Marcha dos Sem, que reuniu em torno de 8 mil trabalhadores, para protestar contra a corrupção, a crise dos alimentos, o descaso com os servidores públicos e a criminalização dos movimentos sociais.

E eu fiquei chocada com o modo que a Brigada Militar tratou os manifestantes. Quando chegamos na esquina do Palácio Piratini, os policiais que acompanharam toda a Marcha, alopraram. Bloquearam a passagem do carro de som e partiram para a agressão. Foi horrível. Um absurdo. Soltaram bombas de efeito moral, machucaram pessoas, usaram tiro com bala de borracha.

Eu vi isso tudo, chocada, de cima do carro de som. Já participei de várias manifestações, mas nunca tinha visto tamanha violência e truculência. Fiquei com raiva daquela atitude e com vergonha da sociedade que vivemos.

Não acredito que um produtor rural que saia de uma cidade do outro lado do Rio Grande do Sul, atravesse o Estado em ônibus sem o menor conforto, queira armar confusão. O mesmo penso dos professores estaduais, do pessoal do Movimento Sem Terra, da Via Campesina… Há muita gente estudada, politizada e culta nos movimentos sociais. Estão longe de serem marginais. Apenas escolheram lutar pelos direitos que todos deveriam ter.

Quando eu falo que sou a favor da liberdade, é da liberdade individual e da liberdade de cada grupo que compõem uma comunidade. E esses, tem todo o direito de se manifestar se o Estado não oferece condições de uma vida digna.

O povo brasileiros sempre foi um ativista nato, é só olhar para a nossa história, quanta revolução já fizemos? Quantas vezes já fomos para a rua? O problema é que na época da ditadura, as manifestações acabaram, foram duramente reprimidas…

Quando o regime militar acabou, o estrago já estava feito, já tinham nos convencidos que “brasileiro é pacífico, é bonzinho”, “que o Brasil é o país do futebol e carnaval”, “que não tem memória”… Acabamos achando que qualquer pessoa que não se conforma com uma situação, é um marginal.

O que vi hoje, não tem explicação. Revolta. Como jornalista, fico chocada de como a mídia consegue alienar, enquanto deveria informar. Ao invés de ampliar os horizontes, limita. Onde está a função social da comunicação?

Agora, o pior de tudo, depois que a manifestação acabou, me dirigi com uma colega, que é socióloga, para pegar um táxi ao lado do teatro São Pedro. Entramos no primeiro táxi, o motorista nos perguntou se estávamos no protesto, ao saber que sim, falou: “descem porque eu não vou levar marginal!”. Saímos, sem acreditar no que estava acontecendo. No segundo táxi a mesma coisa: “marginal não entra”.

É inaceitável taxar manifestantes de marginais e tratá-los como animais… E as pessoas que resolvem se manifestar fazendo greve de fome? Tem coisa mais pacífica que não comer? Deixamos os taxistas para lá e fomos a pé, cansadas e revoltadas. Não com aqueles motoristas, nem com a Brigada Militar, mas com a falta de liberdade que assola a sociedade hoje em dia. Liberdade de ser o que é. Só.

Desapego de você

Publicado em desapego, poesia às 12 Março, 2009 por vicissitudedeser

Deixar partir alguém a quem dentro de nós faz gritar o não
Desprender aos poucos das lembranças mesmo as mais doces
Por mais que venha a dor,
É preciso limpar a “casa”
Deixar entrar uma nova luz Desprender as “borboletas”
Desejando felicidade e um leve toque de sorte para o que fica desapegado de nós
Um novo caminho, outros girassóis

A melancolia dos dias cinzas

Publicado em gosto, poesia, surreal às 9 Março, 2009 por vicissitudedeser

A sensação das pernas bambas por um simples encontro do acaso
Como se na noite anterior em que por breves momentos compartilhamos o mesmo espaço não tivesse tido qualquer significado
Mas foi assim, sob a fina garoa, quando os olhos por um curto espaço de tempo se cruzaram e um simples aceno.
O lampejo do desejo adormecido durante meses de silêncio e ausência, florescendo novamente, mais calmo e sereno, contudo longe de ser aquilo que definimos como amor.
Também não é reflexo dos “nervos” a flor da pele, pelo menos não no sentido alucinante causado pela volúpia. Foi algo mais terno e ao menos tempo pulsante.
Um simples instante para despertar algo em mim que andava dormente, algo que não sei explicar o que é, mas que me fez bem.
Ou talvez tenha sido a chuva, o dia cinza, as sombrinhas multicoloridas desfilando pelas ruas e calçadas de um porto-alegre nem sempre feliz.
Adoro dias tom de cinza

A vidraça fechada,
A chuva brincando na janela,
Tento afugentar o sono que vem com o marasmo, inúmeras xícaras de café, vício que há tempos me acompanha e do qual vou desistindo de lutar.
Querendo sair daqui, mas, aff, obrigações não deixam. E o relógio parece conspirar contra meu desejo.
Sem tempo para ficar sob a chuva, então contemplo distante, mais um dia pintado de cinza.

27

Publicado em 27, Tempo, alternância, vicissitude às 3 Março, 2009 por vicissitudedeser

Talvez não seja a melhor forma de iniciar, mas não importa, vou fazer assim mesmo.

Domingo de manhã, depois de uma ressaca de lágrimas, um remédio para aliviar a cólica e algumas horas de sono mal recuperadas de dias insones, enfim o dia chegou novamente.

Mais uma passagem, outro aniversário e nada da minha mãe bater na porta do quarto às 10 e 45 como quase sempre faz em cada primeiro de março. E ela não vinha…

Distante das dores que antecederam minha chegada, numa segunda-feira de sol, nascimento sem choro, o que me valeu as primeiras palmadas.

As lágrimas  vêm mais fáceis agora, sem contato físico direto, mas causadas às vezes por sentimentos obscuros e por pequenas magoas e alegrias que o tempo vai tratando de administrar.

E das dores, as alegrias passageiras, as comemorações com direto a quase todos os anos com bolos, balões e todos os adornos de comemoração. Minha mãe sempre foi meio exagerada quando se trata de comida, e nessas ocasiões a casa sempre foi cheia. Até mesmo sete anos depois, quando nasceu a minha irmã, as festas continuaram na mesma proporção. A última “grande” festa foi aos 15 anos.

Depois, a passagem passou a ser celebrada um pouco mais intimista, mas sempre com bolos e pessoas queridas.

Voltando, para o mundo hoje. E minha mãe não vinha para dar o abraço, e voltei ao sono quando Com o elemento surpresa, de amigos, da família, o presente surpresa, 11 da manhã, o sono desperto pelo carinho, ela finalmente veio.

Carinho e afeto que foram se complementado ao longo do dia com o acréscimo de mais pessoas doces. Ficou a falta sentida de algumas pessoas, mas nada pode ser totalmente candidamente perfeito.

E foram as “águas fechando o verão” que vieram saudar meus 27 anos, cercada de risos e doces-amores. Um dia cinza mais colorido, as lágrimas ficaram dentro, dando espaço para o brilho e para a festa interior.

Com direto a bolo com claves de sol. A música que tocava e lavava a melancolia que dias comemorativos sempre me causam.

PS.: Este post vem no lugar do discurso que não consegui proferir, vem agradecer ao carinho e amor das pessoas mais importantes da minha vida.

Sem confetes nem serpentinas

Publicado em carnaval, confetes, serpentina, vicissitude às 25 Fevereiro, 2009 por vicissitudedeser

Não gosto muito de carnaval de avenida, e isso vem desde criança, raramente assisto  pela TV. Gosto sim das máscaras, das fantasias, estilo Veneza.  Ou dos carnavais de salão, de ruas e alamedas com seus bonecos gigantes, das sobrinhas coloridas, dos maracatus.

Nada contra quem goste, participe enalteça do samba promovido pela Sapucaí e outras que seguem esse modelo.  Suas cores, seu brilho, sua fantasia, sua vida efêmera.

Entendo a paixão, o amor que levam as pessoas a defenderem suas escolas com tanto fervor.

Confesso que durante algum tempo meus personagens preferidos foram o mestre- sala e a porta-bandeira.

Ontem, dei folga ao meu prazer /vício da leitura e me rendi à corte do rei momo televisiva, mas não agüentei muito tempo; apesar das cores, dos enredos até interessantes, da explosão da alegria, em mim veio o fastio.

Todo aquele espetáculo multicolorido, muito bonito admito, mas depois quando raia o ultimo dia, para onde tudo irá depois da quarta-feira de cinzas; todos aqueles adornos, quantos serão reciclados?

E todo o dinheiro “investido”, gasto onde vai parar?
Sim, são instantes de beleza, emoção, alegria, mas são instantes, que apesar de ficarem gravados, os seus mimos são “queimados”.

Por outro lado, é bonito ver a emoção das pessoas que compõem  a comunidade que labuta pela escola, muitas das quais pagam por suas fantasias, que naqueles 80 e tantos minutos vem explodir o universo paralelo que ajudaram a criar. E que continuaram a gerar.

Eu continuo preferindo a dança ao redor da fogueira; dos véus soltos, dos pés descalços. Das cores, do brilho, da alegria barata e continua.

veneza1

Languidez

Publicado em dança com vinhos, languidez, poesia às 20 Fevereiro, 2009 por vicissitudedeser

Para aqueles dias em que a inspiração está a flor da pele, pequenos pedaços que sopram da alma vem até a nós, como esse pequeno poema de uma pessoa muito especial para mim:

 

“Pintei todas as taças de dourado sol, e derramei vinho sobre elas, tomando a decisão de logo bebê-lo, com receio que o sol sugasse todo seu álcool….De nada adiantou, era tarde demais, apenas lábios rubros, rubor na face e desejo na carne…”   Maila Alves Teixeira

 

rosavinho

Radicom e direito autoral: buscando um ponto de equilíbrio

Publicado em Direito autoral, Radicom, rádio comunitária às 20 Fevereiro, 2009 por vicissitudedeser

Matério originalmente publicada no site do FNDC, no dia 14/02 

As rádios comunitárias constituem um espaço de democratização da comunicação, disseminando e divulgando cultura, informações e entretenimento sem fins lucrativos. No aspecto cultural, são instrumentos para músicos divulgarem seu trabalho. Mas isso é dificultado pela cobrança dos direitos autorais, amparada em uma lei que não contempla a realidade da radicom no país.
Esse problema afeta as emissoras comunitárias em todo o país, e ressurgiu na semana passada, quando o juiz da 16ª Vara Cível de São Paulo, Maurício Campos da Silva Velho, negou o pedido do Sindicato de Emissoras Comunitárias de São Paulo (Sinerc) para que as suas filiadas não fossem obrigadas a pagar direitos autorais ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). O sindicato alegara que a transmissão de músicas por suas rádios não tem motivo econômico e serve a fins culturais.

As emissoras que entraram na ação através do sindicato não são filiadas a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço). Para a Abraço, a constituição de novas entidades como o referido sindicato é contraproducente. De acordo com o advogado responsável pela diretoria Jurídica e de Estudos Socioeconômicos da Abraço, João Carlos Santin, a luta em defesa da radicom exige que as emissoras se agreguem em um movimento coeso e forte. “O risco de sermos derrotados é maior quando as pessoas ficam criando um monte de entidades e começam a entrar na justiça em nome do coletivo”, considera.

Entretanto, o problema enfrentado pelas emissoras representadas pelo Sinerc é o mesmo enfrentado pelas emissoras comunitárias em geral. Segundo matéria publicada no site consultor jurídico sobre o caso do sindicato paulista, o juiz fundamentou-se no artigo 68 da Lei 9.610/98 (direitos autorais), relativo à obrigatoriedade do pagamento de direitos autorais nas execuções públicas de músicas, independentemente do lucro.

As decisões sobre o assunto têm sido contraditórias. No ano passado, em Santa Catarina, a 3ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça, deferiu pedido semelhante a favor da Associação Comunitária Ecológica do Rio Camboriú e negou provimento ao recurso do Ecad. O Escritório ajuizara ação de cobrança no valor de R$ 6 mil referente a musicas veiculadas pela emissora da referida Associação. A Justiça concluiu que, por tratar-se de estação radiodifusora de natureza comunitária, sem fins lucrativos e com objetivo de promover a educação ambiental local, o uso de composições musicais em sua programação não esta sujeito ao pagamento de direito autoral.

Produto cultural versus bem cultural

A lei do direito autoral surgiu em 14/12/73, sob nº 5.988 e foi alterada 25 anos depois, em 19 de fevereiro de 1998, pela lei Nº 9.610. Na mesma época nascia a lei que instituiu o serviço de Radiodifusão Comunitária no país. As divergências entre o Ecad e a radicom concentraram-se no artigo 68.

O Ecad -sociedade civil, de natureza privada, administrada por dez associações de música – cobra das rádios comunitárias o valor fixo mensal de R$ 255,00 pela veiculação de músicas. Para representantes das rádios comunitárias, que não negam os direitos autorais, a taxa cobrada não condiz com a natureza das rádios. Lembram que as emissoras não têm fins lucrativos e são mantidas pelas comunidades, não podem veicular propaganda e não possuem subsídios governamentais.

“Não somos contra o direito autoral, que é o pagamento do trabalho do artista”, afirma o Coordenador Executivo da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), José Luiz Sóter. Ele considera “crucial” o debate sobre o pagamento ao Ecad e reivindica um tratamento diferenciado. Mas destaca o caráter diferenciado da radiodifusão comunitária.

“A rádio comunitária, diferente das comerciais, veio para democratizar o espaço, servindo como um meio de divulgação gratuita dos artistas que estão fora da mídia”, enfatiza. Para Sóter, que também é dirigente executivo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a obrigatoriedade de recolher taxas ao Ecad pode inviabilizar a existência da maioria das emissoras. “Essa visão do Ecad é uma visão mercantilista, de produto cultural, uma visão voltada para a indústria cultural e não para democratização do acesso aos bens culturais”, argumenta.

Com base nessa argumentação a Abraço, de acordo com Sóter, tem procurado reunir com as entidades que representam os artistas para mostrar a realidade das comunitárias. “Nós estamos querendo resolver essa situação da arrecadação junto às rádios comunitárias por meios políticos e pelo viés da democratização da comunicação” acrescenta.

Questionar a legalidade da cobrança

No âmbito jurídico, as emissoras estão sendo orientadas a se precaver e discutir judicialmente essa questão, salienta Santin. Para o advogado é preciso que as rádios comunitárias se organizem e lutem para mudar a legislação. Ele admite a cobrança de um valor simbólico ou condizente com a realidade do setor. “Nós temos que discutir judicialmente isso e convencer os deputados e senadores de que rádio comunitária deve ter um tratamento diferenciado”, finaliza.

“Essa cobrança do Ecad não é de hoje, e é um contrasenso, a própria lei diz que uma rádio comunitária não pode veicular comercial. Se não tem fonte de arrecadação, como vai pagar alguma coisa? E se ela é comunitária, esta ali justamente para fazer o papel que a rádios comerciais não fazem, que é promover cultura, entretenimento, tudo de forma gratuita, sem a intenção de ter faturamento sobre essas músicas. Isso é diferente das comerciais, que tem fonte arrecadadora”, argumenta Edson Amaral, dirigente da Federação Interestadual de Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert) e também membro da Coordenação Executiva do FNDC.
A posição do Ecad

De acordo com Márcio Massano gerente de relacionamento de arrecadação do Ecad, quem decide sobre o valor da cobrança são as entidades associadas ao Escritório. “Qualquer proposta recebida aqui é levada até a assembléia e se discuta. O Ecad só acata aquilo que é decidido pela assembléia.”Massan o recorda que o Escritório não pode ignorar as determinações da lei e que só os titulares das músicas podem abrir mão das taxas em vigor.

“As pessoas confundem a cobrança com imposto, não é se trata disso, mas de uma licença que a pessoa precisa pagar para utilizar uma obra de outra pessoa”, explica. E acrescenta: “Não somos contra a discussão, o Ecad nunca está fechado para uma negociação, as propostas podem ser enviadas para a assembléia avaliar”.

Reflexões sobre Ensaio Sobre a Cegueira

Publicado em Sem-categoria às 1 Fevereiro, 2009 por vicissitudedeser

Bem, antes que as férias acabem, consegui ler um dos muitos livros que estavam há tempos nas estante me chamando cada vez que por ele passava, e finalmente consegui  atender a seu pedido. recomendo a leitura e que cada um tire suas próprias conclusões.

O filme de Fernando Meirelles, na próxima semana, talvez.  

“A cada dia que passa, estamos ficando mais cegos” , surdos, mudos, sem percepção ao toque,
Aos  poucos,  perdemos nossos sentidos
 Muitas vezes nos deixamos vegetar
Acomodando-nos,
Achando que não precisamos mais sair as ruas contra pequenas atrocidades, desvios de direito ou um sutil massacre que nem sempre está ao longe

Empunhar bandeiras de protestos, para que? se ninguém as pode ver

Essa cegueira, em sua maioria escura, das pessoas que se deixaram pererter pela indiferença e a desesperança, tenta contaminar as

outras brancas, que  apesar da curta duração, também promovem o caos.

e assim, muitos vão se deixando levar pela opacidade da vista até anularem totalmente as coisas a sua volta

O sentido de ser humano vai se perdendo e só não voltamos a termos dominando os sentidos mais primitivos, porque os poucos que ainda veem, sentem

Não desistem na possibilidade de um mundo melhor
E mesmo a repressão vinda dos outros que apesar de ainda enxergarem, cegaram pelo egoísmo e a raiva latente

Não faz com que essa epidemia que a tudo suprime, lhes tire os sentidos de estar vivo.

Pedaços

Publicado em alternância, calendoscópio, fragmentos, frases soltas, lúdico, poesia às 18 Janeiro, 2009 por vicissitudedeser

Desejo de sair pelo mundo contando histórias, descobertas, fundir com outros povos
Falar da vida de pessoas reais, realmente vivas e não da plastificação estampadas nas revistas
Ir por diferentes caminhos, atrás das mãos calejadas, rostos pintados pelo sol
Dos índios, andarilhos latinos, dos sorrisos que superam as lágrimas, da dor
 Seguir no fluido das veias que ainda continuam abertas
Narrando contos/crônicas de muitas estrelas, das heranças deixadas
Sentir o cheiro da terra, o humano ser surgir.

———————————————————————————————

Meus castelos de areia soprados pelo vento, esquecidos pela moção do tempo.
Não lembro mãos dos dias em que acreditava ainda em conto de fadas
Na verdade finais felizes sempre me pareceram quimeras e de um certo enfado.
Antes que pareça com descrença ou mágoa, por algo vivido e despedaçado
Tento me explicar, mesmo sabendo que ninguém tem nada a ver com isso.
Não há dor, desamor ou qualquer sentimento de tristeza
O que acontece é que às vezes a melancolia surgida de algum recôndito vem brincar com os dias,
Do “canto do sorriso” surge a lágrima e do nada o coração entristece e esfria
Fazendo ir embora o Oasis, deixando tudo deserto,

———————————————————————————————

Quando o prazer toma conta, e o amor sai por entre a fenda aberta
O vazio vem e impera, e nasce a procura do preencher o espaço do nada com quimeras
Criando frágeis castelos de sonhos
 Que a realidade não pode suportar
Mais uma dose de ilusão, só mais um fragmento de utopia.